Resumo

Título do Artigo

CONTROVÉRSIAS ESG E O DESEMPENHO EMPRESARIAL NA AMÉRICA LATINA: O EFEITO MODERADOR DOS MECANISMOS DE GOVERNANÇA CORPORATIVA
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Tema

Governança e Sustentabilidade em Organizações

Autores

Nome
1 - HYANE CORREIA FORTE
Universidade Federal do Ceará - UFC - Universidad de Valladolid Responsável pela submissão
2 - Fernanda Beatryz Rolim Tavares
Universidade Federal de Campina Grande - UFCG - Centro de Ciências Jurídicas e Sociais
3 - LARISSA KAROLINE SOUZA SILVA
Universidade Federal do Ceará - UFC - Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade (FEAAC)
4 - Antonio Rafael Holanda da Silva
Universidade Federal do Ceará - UFC - PPAC/FEAAC

Reumo

Introdução
No contexto atual, organizações enfrentam pressões crescentes de stakeholders para adotar práticas ESG, enquanto buscam maximizar a lucratividade (Adomako & Tran, 2022). Na América Latina, região estratégica do capital natural, a adoção de ESG tem crescido, mas as controvérsias associadas ainda são pouco estudadas (Mejía-Escobar et al., 2021; Mendiratta et al., 2023). Tais controvérsias afetam reputação e desempenho, podendo ser mitigadas por mecanismos de governança corporativa (Ab Aziz et al., 2025), foco desta pesquisa.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Considerando esses potenciais impactos e a lacuna de estudos na região, a pesquisa tem como objetivo investigar o efeito moderador dos mecanismos de governança corporativa sobre o relacionamento das controvérsias ESG com o desempenho empresarial no contexto da América Latina. Essa pesquisa concentra-se no contexto latino-americano, ainda pouco explorado, que apresenta como particularidades a baixa proteção aos acionistas minoritários, a limitada orientação para as partes interessadas dentre outros (Husted & Sousa-Filho, 2019; Mejía-Escobar et al., 2021).
Fundamentação Teórica
No contexto latino-americano, empresas enfrentam desafios regulatórios e socioambientais que aumentam os riscos de controvérsias ESG, afetando desempenho e reputação (Belloc & Molina, 2023; Abreu et al., 2023). Mecanismos de governança, como tamanho e diversidade do conselho e comitês de responsabilidade social, podem fortalecer decisões estratégicas, promover práticas ESG eficazes e mitigar impactos negativos dessas controvérsias, ampliando criação de valor e confiança junto às partes interessadas (Wu et al., 2023; Ab Aziz et al., 2025).
Metodologia
A amostra do estudo contempla um painel desbalanceado composto por 1.065 observações empresa-ano de 106 empresas latino-americanas, do período 2010-2023. Os dados da pesquisa foram coletados da base de dados da LSEG Workspace. Os testes de Cumby-Huizinga e Breusch-Pagan foram realizados. Os resultados indicaram a presença de autocorrelação serial e heterocedasticidade nos resíduos. Dessa forma, para se corrigir tais problemas, os modelos foram estimados pelo método dos Mínimos Quadrados Generalizados (GLS).
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados mostram que empresas com menor envolvimento em controvérsias ESG apresentam desempenho corporativo superior, sugerindo que práticas e políticas ESG estruturadas ajudam a proteger a reputação e reduzir riscos. Tamanho e diversidade do conselho contribuem diretamente para melhores resultados, mas não influenciam a relação entre controvérsias e desempenho. Já a presença do comitê de responsabilidade social corporativa favorece a integração eficaz de estratégias ESG, mitigando efeitos adversos e fortalecendo reputação e criação de valor.
Considerações Finais
No contexto latino-americano, os resultados indicam que o efeito moderador dos mecanismos de governança corporativa sobre a relação entre controvérsias ESG e desempenho empresarial depende do tipo de mecanismo. Assim, o estudo aprofunda a compreensão do papel da governança na gestão de controvérsias, oferecendo evidências inéditas sobre como diferentes arranjos influenciam a capacidade das organizações de lidar com riscos socioambientais. Os achados fornecem subsídios para gestores, investidores e reguladores na formulação de estratégias mais eficazes de sustentabilidade e transparência.
Referências
Ab Aziz, N. H., Alshdaifat, S. M., & Al Amosh, H. (2025). ESG Controversies and Firm Performance in ASEAN: Do Board Gender Diversity and Sustainability Committee Matter? Business Strategy & Development, 8(1), e70094. Abreu, M. C. S. D., Soares, R. A., Daniel?Vasconcelos, V., & Crisóstomo, V. L. (2023). Does board diversity encourage an environmental policy focused on resource use, emission reduction and innovation? The case of companies in Latin America. Corporate Social Responsibility and Environmental Management, 30(3), 1161–1176.