Introdução
A indústria da moda é uma das mais impactantes ambientalmente, com o descarte de vestuário e resíduos têxteis representando um grande desafio. A adoção de práticas sustentáveis e a transição para a economia circular têm sido propostas como soluções para mitigar esses impactos. No entanto, a questão dos microplásticos, liberados durante a produção, uso e descarte de roupas sintéticas, permanece como um problema crítico, muitas vezes ausente nos relatórios de sustentabilidade das empresas (Henry et al., 2018).
Problema de Pesquisa e Objetivo
Apesar do crescente compromisso com a sustentabilidade na moda, a transparência e a abordagem em relação aos microplásticos ainda são lacunas a serem exploradas. O problema de pesquisa é: Como as principais empresas de moda brasileiras estão abordando a questão dos microplásticos em suas estratégias de sustentabilidade, operações e comunicação com o consumidor? O objetivo deste estudo é analisar os relatórios de sustentabilidade de grandes varejistas para identificar a presença de iniciativas, discussões e a transparência em relação ao tema.
Fundamentação Teórica
A fundamentação teórica se baseia nos princípios da economia circular (como design para circularidade, upcycling e logística reversa) e na gestão da sustentabilidade na cadeia de valor. O conceito de design de produto é explorado como uma ferramenta central para mitigar a geração de microplásticos na origem (Friedrich, 2022; De Falco et al., 2022). A transparência na comunicação de marketing é examinada à luz da responsabilidade social corporativa e da necessidade de informar o consumidor sobre os impactos ambientais de seus produtos (Henry et al., 2018).
Metodologia
A metodologia consistiu na análise de conteúdo de quatro relatórios anuais de empresas do setor de moda no Brasil (Grupo SBF, Lojas Renner, C&A e Guararapes), referentes ao ano de 2024. A análise se concentrou na busca por trechos que abordassem explicitamente os microplásticos, ou variações desse termo, para identificar menções e, subsequentemente, analisar as estratégias e o nível de transparência das empresas sobre o tema.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise revelou que, apesar de todas as empresas demonstrarem um compromisso com a sustentabilidade e a economia circular, o tema dos microplásticos não é explicitamente mencionado em seus relatórios. As iniciativas se concentram na redução de plásticos de uso único, no uso de materiais reciclados (como poliéster) e na logística reversa de produtos. A ausência do debate sobre microplásticos sugere uma lacuna na abordagem da indústria, especificamente em relação a um de seus impactos ambientais mais complexos (Henry et al., 2018; Almroth et al., 2017).
Considerações Finais
A pesquisa destaca uma lacuna entre as práticas de sustentabilidade reportadas e a questão dos microplásticos. Embora as empresas estejam avançando em frentes como economia circular, elas ainda não estão comunicando ou abordando o risco de poluição por microfibras. O estudo conclui que há a necessidade de as empresas do setor de moda integrarem a questão dos microplásticos em suas estratégias, e de que a comunicação de marketing reflita de forma mais transparente os desafios e as soluções propostas (De Falco et al., 2022; Friedrich, 2022).
Referências
Almroth, B.M.C. et al. (2017). Quantifying shedding of synthetic fibers from textiles; a source of microplastics released into the environment. Environmental Science and Pollution Research, 25(2), 1191-1199.
Friedrich, D. (2022). Can bioplastics drive the sustainability transition in fashion like in other industries? A sector comparison from consumer perspective. Materials Circular Economy, 4(25).
Henry, B. et al. (2018). Microfibres from apparel and home textiles: Prospects for including microplastics in environmental sustainability assessment. Science of the Total Environment, 652, 483-494.