Introdução
Cidades são matrizes complexas e palco de grande parte dos problemas ambientais globais. Atualmente, as áreas urbanas têm 56% da população mundial, podendo chegar a 68% até 2050. Neste contexto, cabe aos gestores municipais se dedicarem à elaboração de soluções para atingir melhorias na qualidade de vida e sustentabilidade global por meio de uma transformação no modelo de pensar, planejar e gerir os espaços urbanos. Uma maneira de avaliar o aprimoramento da realidade urbana é a utilização da ideia de “cidade inteligente” como o grau de desenvolvimento desejado para distintos aspectos.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Osasco recebeu em 2022 e 2023 selos na premiação sobre cidades inteligentes. No entanto, mesmo com projetos e iniciativas voltados para o contínuo desenvolvimento de aspectos relevantes para uma cidade inteligente, diversos eixos ainda se encontram em colocações fora do top 100 de melhores municípios. a presente pesquisa se propõe a analisar as características associadas a cidades inteligentes no município de Osasco (SP) por meio da percepção da comunidade acadêmica da Unifesp/Osasco para avaliar o resultado dos rankings que classificam uma cidade inteligente com as percepções da sociedade.
Fundamentação Teórica
A primeira vez que o termo Cidades Inteligentes foi empregado foi no trabalho de Gibson et al. (1992) e estava atrelado à crescente aplicação da tecnologia da informação e comunicação para melhorar questões de mobilidade, sustentabilidade, governança e bem-estar, visando a melhoria na qualidade de vida de cidadãos nas áreas urbanas. Desde então, o tema vem evoluindo e hoje, diversos autores atribuem ao conceito dimensões como economia, governança, pessoas, meio ambiente, modos de vida e até aspectos soft como cultura e questões sociais.
Metodologia
Uma survey de natureza exploratória foi realizada para a obtenção de dados. As questões foram baseadas nos eixos que o Ranking Connected Smart Cities (RCSC) avalia e foram distribuídas entre dez/2023 e abr/2022, inicialmente para 63 contatos da pesquisadora e depois, a técnica de bola de neve foi aplicada para ampliar o alcance da coleta de dados. Foram obtidos 135 respostas, sendo 120 válidas. Os participantes da pesquisa foram docentes, discentes e TAEs da Unifesp/Osasco. A análise dos dados foi descritiva,
Análise e Discussão dos Resultados
O perfil dos respondentes foi 67% discentes, 26% docentes e 7% TAEs. Em relação aos eixos avaliados, destacam-se como percepções negativas os eixos de Mobilidade, Urbanismo, Educação, Segurança e Saúde. Esta avaliação contrasta com o resultado do RCSC em que estes mesmos eixos foram bem avaliados. Dentre os aspectos que receberam melhores percepções, estiveram Tecnologia e Economia, corroborando o resultado do ranking. Alguns eixos ficaram prejudicados pelo fato de a maioria dos respondentes serem os discentes e não moradores de Osasco.
Considerações Finais
A pesquisa avaliou a percepção da comunidade acadêmica sobre os 10 eixos e suas subcategorias presentes no RCSC. Embora haja a limitação devido ao perfil dos respondentes, os resultados demonstram a necessidade de incorporar uma perspectiva cidadã no desenvolvimento de políticas públicas, permitindo que as ações sejam mais ajustadas às demandas locais. Como pesquisas futuras sugere-se a alteração do público-alvo para residentes de diferentes segmentos da sociedade, como moradores, gestores públicos e empresários locais, distribuídos em faixas etárias proporcionais à demografia municipal.
Referências
ABDALA, L. N.; SCHREINER, T; DA COSTA, E. M.; DOS SANTOS, N. Como as cidades inteligentes contribuem para o desenvolvimento de cidades sustentáveis?: Uma revisão sistemática de literatura. International Journal of Knowledge Engineering and Management (IJKEM), v. 3, n. 5, p. 98-120, 2014.
ALBINO, V.; BERARDI, U.; DANGELICO, R. M. Smart Cities: Definitions, Dimensions, Performance, and Initiatives. Journal of Urban Technology, p. 3–21, 2015.
CLARK, D. Interdependent Urbanization in an Urban World: An Historical Overview. The Geographical Journal, Vol. 164, No. 1, pp. 85-95., 1998.