Resumo

Título do Artigo

ESG NA AMAZÔNIA LEGAL: UMA VANTAGEM COMPETITIVA PARA AS EMPRESAS?
Abrir Arquivo

Tema

Estudos da Amazônia

Autores

Nome
1 - João Guilherme de Santana Brandão
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO - UFPE - CCSA/PROPAD
2 - Camila Neves
Universidade Federal de Pernambuco - PROPAD Responsável pela submissão
3 - Joséte Florencio dos Santos
Universidade Federal de Pernambuco - departamento de ciências administrativas
4 - Raquel Souza Ramos
Centro Universitário UniFavip - Caruaru
5 - Fernanda Evanilde Pereira Werlang
-

Reumo

Introdução
Os fatores ESG, formalizados pelo Pacto Global da ONU em 2004, têm ampliado a transparência corporativa e melhorado o desempenho em índices de sustentabilidade (Yuan et al., 2022; Wan et al., 2023). Pesquisas indicam que essas práticas reduzem riscos e atraem investidores, embora sua adoção seja desigual entre empresas, setores e regiões (Chen et al., 2023). No Brasil, a Amazônia Legal configura um contexto singular para analisar essa relação, com iniciativas como o Programa Amazônia Viva, que busca equilibrar conservação, desenvolvimento e inclusão (Piccioni et al., 2024).
Problema de Pesquisa e Objetivo
Nesse contexto, este estudo objetiva analisar a relação entre ESG e desempenho financeiro de empresas da Amazônia Legal comparadas às demais da B3, dada a importância da região e da agenda ESG (Wang et al., 2023). A pesquisa investiga a relação entre práticas ESG e desempenho financeiro em empresas da Amazônia Legal em comparação às demais listadas na B3, justificando-se pela relevância estratégica da região e pela lacuna na literatura em contextos periféricos. A presente investigação justifica-se pela crescente relevância das práticas ESG na agenda corporativa e pelo seu papel estratégico
Fundamentação Teórica
O desalinhamento de interesses entre principal e agente pode resultar em conflitos de agência e exigir mecanismos de governança corporativa para mitigação. A governança corporativa surge como um mecanismo para mitigar esses conflitos, minimizando os riscos associados às decisões que podem vir a prejudicar a empresa a longo prazo. O ESG não apenas incorpora os princípios da RSC, mas também avança ao incluir uma governança mais robusta e critérios sociais e ambientais rigorosos. A literatura demonstra que o impacto do ESG não é homogêneo, sendo influenciado também por questões geográficas.
Metodologia
O estudo de abordagem quantitativa, descritiva e explicativa, com dados da Refinitiv para empresas brasileiras de capital aberto entre 2020 e 2023. Após exclusões, a amostra final reúne 112 empresas, sendo 39 com atuação significativa na Amazônia Legal, região estratégica para o meio ambiente global, mas marcada por problemas como o desmatamento (Santos et al., 2024). O desempenho financeiro foi mensurado por ROA e Q de Tobin, enquanto os escores ESG e de seus pilares foram obtidos na Refinitiv. As variáveis do modelo e suas operacionalizações baseiam-se em estudos anteriores da literatura.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise mostra que não há diferenças estatisticamente significativas no desempenho ESG entre empresas da Amazônia e demais empresas brasileiras. As regressões indicaram que, para empresas da Amazônia, o ROA não foi significativamente impactado pelas práticas ESG, enquanto o Q de Tobin das empresas da Amazônia legal foi impactado positivamente. Assim, o mercado atribui valor positivo a empresas da região que adoram práticas alinhadas ao ESG.Tamanho e alavancagem reduziram a rentabilidade, enquanto tangibilidade, crescimento, liquidez e tempo desde o IPO apresentaram efeitos positivos.
Considerações Finais
O estudo investigou a relação entre práticas ESG e desempenho financeiro em empresas da Amazônia Legal e demais companhias brasileiras. Os resultados mostram ausência de diferença significativa no desempenho de ESG entre os grupos. No ROA não há efeito relevante para empresas amazônicas, enquanto fora da região há associação positiva; já Q de Tobin é afetado por práticas ambientais e sociais nas empresas da Amazônia Legal. Os efeitos do ESG são heterogêneos e contextuais, reforçando a importância de políticas públicas e estratégias regionais. O estudo contribui ao ampliar o debate no Brasil.
Referências
CHAGAS, G. M. O.; SANTOS, J. F.; NEVES, C. B. C.; ALMEIDA, M. A. Impacto das práticas ambientais sobre a alavancagem. Revista Pensamento Contemporâneo em Administração, v. 17, n. 4, p. 90–103, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.12712/rpca.v17i4.60149. 493. PICCIONI, C. A.; BASTOS, S. B.; CAJUEIRO, D. O. Stock price reaction to environmental, social, and governance news: evidence from Brazil and financial materiality. Sustainability, v. 16, n. 7, p. 2839, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.3390/su16072839.