Resumo

Título do Artigo

IMPACTOS DO ESG: UMA ANÁLISE DE RELAÇÃO MODERADORA NO CONTEXTO BRASILEIRO
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Tema

Finanças Sustentáveis

Autores

Nome
1 - João Guilherme de Santana Brandão
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO - UFPE - CCSA/PROPAD
2 - Joséte Florencio dos Santos
Universidade Federal de Pernambuco - departamento de ciências administrativas
3 - Camila Neves
Universidade Federal de Pernambuco - PROPAD Responsável pela submissão
4 - Clarissa Cabral Leite
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO - UFPE - PROPAD
5 - Moisés Araújo Almeida
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAIBA - Centro de Ciências Sociais Aplicadas

Reumo

Introdução
O debate sobre ESG tem se intensificado pelas transformações sociais, culturais e ambientais, reforçando sua relevância para governos, investidores e empresas (Bagh et al., 2024). Contudo, a implementação dessas práticas exige recursos financeiros, destacando o dilema sobre a preservação da riqueza dos acionistas (Friedman, 1970). Estudos mostram que a estrutura de capital influencia decisões de investimentos e que pode influenciar/ser influenciada pelo resultado financeiro. Deve ainda ser analisado o papel de variáveis moderadoras no destudo do ESG, que podem influenciar as relações.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A adoção de práticas empresariais responsáveis com a sociedade e o meio ambiente é cada vez mais exigida por governos e pelo mercado. ESG (sigla do inglês para Environmental, Social and Governance) tem ganhado destaque nas decisões de empresas e investidores, embora sua implementação exija o aporte de recursos. Além disso, os impactos financeiros do desenvolvimento dessas práticas é relevante, dada a presevação do acionista. Assim, este estudo investiga se o ESG modera a relação entre estrutura de capital e desempenho financeiro de empresas brasileiras não financeiras da B3, entre 2014 e 2024.
Fundamentação Teórica
Recentemente, a literatura financeira acerca da estrutura de capital incorporou o ESG ao debate, apontando que empresas sustentáveis tendem a ser mais cautelosas quanto ao endividamento, preferindo capital próprio e reduzindo custos de monitoramento (Bagh et al., 2024). Além disso, podem atrair investidores institucionais e reduzir a alavancagem (Bagh et al., 2024). Os resultados financeiros de empresas que desenvolvem ESG também é analisado, com resultados divergentes: uns estudos apontam que investimentos em ESG podem trazer benefícios financeiros, outros sugerem que os custos adicionais.
Metodologia
O estudo adota uma abordagem quantitativa, analisa empresas brasileiras listadas na B3, no período de 2014 a 2024, e utilizou modelos de regressão linear com efeitos fixos, com ROA e Q de Tobin como variáveis dependentes. O ESG foi mensurado por meio da proxy de score de ESG disponível na Refinitv. A moderação foi testada por meio de um termo de interação centralizado (ESG * ALAV), evitando multicolinearidade. Os dados financeiros também foram coletados da Refinitiv e as regressões e testes estatísticos foram realizadas em ambiente Python v3.12 e do software R
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados indicaram que o ESG não afeta significativamente o desempenho contábil ou de mercado, nem exerce efeito moderador sobre a relação entre alavancagem e desempenho, sugerindo que seus impactos ainda podem demandar maior tempo de maturação para se refletirem financeiramente.O termo de interação associado ao ROA, para todas as defasagens, foram negativos. Já com o Q de Tobin, foram positivos. Logo, não se pode afirmar que as práticas sustentáveis de ESG exerçam efeito moderador sobre a estrutura de capital na relação com o desempenho contábil ou de mercado.
Considerações Finais
O ESG não impacta significativamente o desempenho contábil ou de mercado, nem suas defasagens de um e dois anos moderam a relação entre alavancagem e desempenho. Os resultados empíricos deste estudo sugerem que o desenvolvimento dessa práticas de ESG não impacta o desempenho financeiro ou a estrutura de capital das empresas, seja curto ou longo prazo, no contexto brasileiro.O estudo contribui para a compreensão do papel do ESG nas finanças corporativas, apontando seu potencial como instrumento de mitigação de riscos de alavancagem no longo prazo.
Referências
BRUNA, M. G.; LOPREVITE, S.; RAUCCI, D.; RICCA, B.; RUPO, D. Investigating the marginal impact of ESG results on corporate financial performance. Finance Research Letters, v. 47, A, 102828, 2022. https://doi.org/10.1016/j.frl.2022.102828 CHAGAS, G. M. O.; SANTOS, J. F.; NEVES, C. B. C.; ALMEIDA, M. A. Impacto das práticas ambientais sobre a alavancagem. Revista Pensamento Contemporâneo em Administração, v. 17, n. 4, p. 90–103, 11 dez. 2023. Disponível em: https://doi.org/10.12712/rpca.v17i4.60149 EDMANS, A. The end of ESG. Financial Management, v. 52, n. 1, p. 3–17, 1 mar. 2023.