Introdução
O ESG busca promover sustentabilidade, boa governança, responsabilidade social, redução da assimetria de informações e do custo de capital, além de mitigar problemas de agência (Jensen & Meckling, 1976). Porém, estudos do tema mostram resultados divergentes (Moskovics et al., 2023). A literatura enfatiza a importância de variáveis moderadoras, como a estrutura do Conselho de Administração (CA), para entender melhor essa relação (Cardillo & Basso, 2025). O CA influencia a alocação de recursos, equilibrando interesses de acionistas e stakeholders, impactando o desempenho organizacional.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Estudos indicam que a composição e diversidade do CA afetam tanto a adoção de práticas ESG. quanto os resultados financeiros; conselhos mais numerosos ou diversos tendem a favorecer maior lucratividade e estratégias ESG eficazes, embora a diversidade isolada possa apresentar efeitos negativos sobre ESG. Assim, o objetivo deste estudo é investigar se os atributos do Conselho de Administração moderam os impactos financeiros das práticas de ESG desempenhadas por uma empresa brasileira listada no período de 2013 a 2023.
Fundamentação Teórica
Estudos indicam que a composição do CA afetam tanto a adoção de práticas ESG quanto os resultados financeiros ESG (Dong, Liang; Wanyin, 2023; Lee, Wen; Thi-Thanh-Nguyen, 2024). Para lidar com resultados divergentes na literatura, estudos têm explorado o papel de variáveis moderadoras relacionadas ao conselho de administração (Cohen et al., 2023; Cardillo e Basso, 2025). Wu et al. (2024) identificaram que a diversidade de gênero no conselho pode moderar negativamente a relação ESG-desempenho. Saha e Khan (2024) destacaram que o tamanho do conselho é o principal moderador nessa relação.
Metodologia
O estudo de abordagem quantitativa, teve como amostra as empresas da B3, excluídas as financeiras e com patrimônio líquido negativo, que possuam dados de ESG disponíveis na plataforma Refinitiv, dados contábeis presentes na base Economatica e relatório de referência disponível na base da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no período de 2013 a 2023. O estudo utilizou regressões lineares (MQP) para investigar se os atributos do conselho de administração moderam a relação entre ESG e desempenho. Utilizou-se o Excel e o Gretl.
Análise e Discussão dos Resultados
Empresas com melhores práticas ESG tendem a apresentar maior rentabilidade, e o tamanho do conselho impactou positivamente o ROA. Os resultados mostram que conselhos maiores podem reduzir o efeito positivo do ESG sobre o desempenho, possivelmente devido à burocratização na implementação de estratégias sustentáveis. Já a dualidade do CEO não apresentou efeito significativo nem direto nem moderador, assim como a presença e o quantitativo de mulheres no conselho. A alavancagem apresentou efeito negativo e significativo sobre ROA, enquanto a liquidez teve efeito positivo.
Considerações Finais
Os resultados indicaram que o ESG impacta positivamente o desempenho financeiro, validando evidências anteriores. O tamanho do conselho foi o principal moderador: conselhos maiores melhoram o desempenho, mas reduzem o efeito positivo do ESG, possivelmente devido à maior complexidade decisória. A dualidade do CEO e a presença feminina no CA não apresentaram efeitos moderadores significativos, possivelmente devido à baixa variabilidade ou limitações de mensuração. O estudo reconhece limitações, como o uso de uma única métrica ESG e deve-se estudar mais mercados e outra variáveis
Referências
CARDILLO, M. A. R.; BASSO, L. F. C. Revisiting knowledge on ESG/CSR and financial performance: A bibliometric and systematic review of moderating variables. J. of I.& K., v. 10, n. 1, p. 100648, 2025.
CHAGAS, G. M. O.; SANTOS, J. F.; NEVES, C. B. C.; ALMEIDA, M. A. Impacto das práticas ambientais sobre a alavancagem. R. P. Contemporâneo em A., v. 17, n. 4, 2023.
SUNNY, S. A.; HOQUE, M. The impact of board characteristics on financial performance in an emerging economy: the moderating role of nomination and remuneration committee. E. J. of M.t and B. E., 2444-8494, 2025.