Introdução
O medo pode impulsionar ações pró ambientais, mas também paralisar. Esse processamento depende de fatores sociais, culturais e cognitivos e do grau de exposição ao choque. No entanto os estudos isolam indivíduo não examinando como emoções escoram transformações e trajetórias organizacionais, da especialização à diversificação. Enfrentamos essa lacuna ao articular medo, responsabilidade, estrutura produtiva, tomando o território como unidade socioespacial onde indivíduo e organizações se co-constituem, na premissa filosófica de Heidegger em que o ser é na medida em que ele habita.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Nosso estudo parte do território, o entendendo como campo e construto, o que nos leva a questão de pesquisa: Qual a influência do temor na percepção da responsabilidade que direciona territórios à especialidade e à diversidade setorial, mediada pela resiliência adaptativa, após uma catástrofe climática? Ao passo que nosso objetivo foi analisar a influência do temor na percepção da responsabilidade que direciona territórios à especialidade e à diversidade setorial, mediada pela resiliência adaptativa.
Fundamentação Teórica
A intensidade da ecoansiedade relaciona-se à exposição e ao conhecimento do risco (Davidson, 2023). Partindo de Jonas (1979) sustentamos que o temor experimentado de forma coletiva, ancora regimes de responsabilidades. Mobilizamos a Teoria do Agir Comunicativo (Habermas, 1981) para modelar o trânsito entre percepções emocionais do choque e a coordenação da ação, aferindo-a a partir da resiliência, que faz o território evoluir a partir do choque (Duschl, 2016; Martin, 2012; Richardson, 2002) o levando ou para especialização ou para diversificação (Chang, 2024; Hoffmann, 2023; Naito, 2017).
Metodologia
Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo em painel longitudinal espacial. Aplicamos OSINT para construir um conjunto de dados públicos. Aplicamos os modelos econométricos e espaciais em DiD com efeitos fixos e controles. Realizamos testes de pré-tendência com o método event study. Aplicamos o modelo de LISA para captar a dependência e a difusão entre territórios, e aferimos as transições entre setores especializados e diversificados usando modelo logit multinomial, considerando Ql, número Hill e a HHI.
Análise e Discussão dos Resultados
Há efeito da responsabilidade natural e contratual sobre estrutura produtiva em territórios afetados por desastres climáticos. O engajamento voluntário está associado à diversificação setorial, ao passo que a responsabilidade contratual direciona territórios à especialização. Territórios com alta diversidade prévia ao choque e baixa concentração tendem a recuperar-se mais rápido, enquanto territórios especialistas sofrem quedas mais íngremes. Comprovamos os transbordamentos espaciais, identificando que clusters de especialização amplificam vulnerabilidade entre vizinhos.
Considerações Finais
Propomos que catástrofes climáticas, ao ativarem a eco-ansiedade operam como gatilhos de responsabilidade ambiental, natural e contratual, que, por sua vez, redesenham a base setorial de territórios como eco da resiliência adaptativa. A (des) especialização desponta como eco mensurável da resiliência adaptativa, observável por diversidade, especialização e concentração, com dependência espacial. Essa moldura une emoções individuais e coletivas, processos comunicativos, instituições e economia regional, oferecendo uma agenda para diagnóstico e intervenção no pós-desastre.
Referências
Davidson, Joe P L. (2023). The politics of eco-anxiety: Anthropocene dread from depoliticisation to repoliticisation. The Anthropocene Review, 11(2), 427–441. https://doi.org/10.1177/20530196231211854
Jonas, H. (1979). The Imperative of Responsibility: In Search of Ethics for the Techno-logical Age. University of Chicago Press.
Habermas, J. (1981). Theorie des Kommunikativen Handelns (Vol. 1). Suhrkamp Verlag.
Haugestad, C. A. P., & Carlquist, E. (2025). ‘You can’t live in fear all the time’: Affective dilemmas in Youth’s discussions on climate change in Norway. British Journal of Social Psy.