Resumo

Título do Artigo

SOMBRA, SILÊNCIO E SUSTENTABILIDADE: UM ESTUDO DA DIVULGAÇÃO DA VALE COM BASE EM RELATÓRIOS ALTERNATIVOS
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Tema

Responsabilidade Social Corporativa

Autores

Nome
1 - MILENA SAMPAIO FERNANDES MEDEIROS
Universidade Federal do Rio de Janeiro - Associação Educacional Dom Bosco
2 - Jessica Cirrota
-
3 - André Luiz Villagelim Bizerra
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - UFRJ - PPGCC Responsável pela submissão
4 - JOSÉ RICARDO MAIA DE SIQUEIRA
Universidade Federal Fluminense (UFF) -

Reumo

Introdução
Em 2025, a empresa Vale S.A. buscou inovar ao ser a pioneira em divulgar seu relatório de sustentabilidade nos novos moldes do IFRS S1 e IFRS S2. É a primeira mineradora do mundo e a primeira empresa brasileira a adotar voluntariamente o padrão internacional do ISSB para reportar riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade (Vale, 2025). Embora a IFRS S1 e a IFRS S2 busquem dar mais transparência aos relatórios de sustentabilidade apresentados pelas empresas, as normas contábeis são questionadas quanto a visão restrita de materialidade financeira (Bohn et al., 2024).
Problema de Pesquisa e Objetivo
As normas contábeis para sustentabilidade buscam tornar os relatórios das empresas mais transparentes em suas relações socioambientais. Considerando questionamentos sobre a própria legitimidade das normas, este estudo busca responder a seguinte questão: O relatório de sustentabilidade da Vale S.A., ao adotar o novo padrão normativo contábil IFRS S1 e S2, passou a ser mais transparente diante dos apontamentos feitos em Shadow e Silente Reports? O artigo tem como objetivo verificar se esses novos moldes contemplam as externalidades evidenciadas nos shadow e silent reports.
Fundamentação Teórica
Santos et al. (2016) demonstram a aplicação dos shadow e silent reports para evidenciação socioambiental. Sousa (2018) observa que a utilização desses instrumentos permite comparar diferentes narrativas sobre o mesmo fato, facilitando a identificação de omissões ou inconsistências. A divulgação de informações sociais e ambientais é motivada pelo desejo da empresa em ganhar, manter ou restaurar sua legitimidade (Deegan, 2002). Os relatórios utilizam artifícios para desfocar a atenção dos danos ambientais pelo uso de estratégias de simplificação dos fatos negativos (Amorim e Souza, 2024).
Metodologia
A pesquisa qualitativa, com base em Bardin (2016), analisa como o Relato Integrado da Vale (2024), conforme IFRS S1 e S2, aborda externalidades apontadas em shadow e silent reports críticos: Dossiê de Impactos (2023), Verdade sobre a Vale (2023) e Relatório de Insustentabilidade (2021). A análise em cinco etapas, com uso do R, mapeou categorias e comparou seu tratamento no relatório oficial, incluindo coocorrências para identificar associações entre palavras relacionadas a externalidades socioambientais, permitindo observar como tema críticos e narrativas corporativas se articulam no discurso.
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados mostram prevalência de termos associados à identidade corporativa: “Vale”, “empresa”. O par mais frequente, “gestão – riscos” (96 ocorrências), demonstra a ênfase em vincular riscos a processos de governança. A abordagem de coocorrência reforça a hipótese de que o enquadramento discursivo prioriza a construção de legitimidade organizacional. Quando observados à luz das IFRS S1 e S2, os resultados indicam que, embora o relatório apresente informações sobre riscos e oportunidades relacionados a sustentabilidade e ao clima, se mantém mais aderente a materialidade financeira.
Considerações Finais
Embora o Relato Integrado da Vale S.A. adote a estrutura IFRS S1 e IFRS S2 e apresente indicadores e compromissos alinhados a padrões internacionais de sustentabilidade, a incorporação de externalidades negativas identificadas em fontes alternativas permanece limitada. A adoção voluntária das IFRS S1 e S2 pode funcionar como um mecanismo de alinhamento formal as exigências de transparência, mas não necessariamente garante a divulgação das externalidades mais sensíveis. A comparação reforça a importância de se incorporar múltiplos interesses e fontes de evidência para a responsabilidade social.
Referências
AMORIM, Fernando; SOUZA, Maria Tereza Saraiva de. Estratégias de legitimação de eventos negativos: rompimento de barragem de mineração e disclosure. Revista Contabilidade & Finanças, v. 35, p. e1739, 2024. DEEGAN, Craig. Introduction: The legitimising effect of social and environmental disclosures – a theoretical foundation. Accounting, Auditing & Accountability Journal, v. 15, n. 3, p. 282-311, 2002. RICHARDSON, Alan J. Accounting as a legitimating institution. Accounting, Organizations and Society, v. 12, n. 4, p. 341-355, 1987.