Introdução
O turismo em áreas rurais pode integrar cultura, agricultura e sustentabilidade, desde que haja governança articulada entre os atores locais. No Brasil, o turismo cafeeiro está em estágio inicial, exigindo planejamento institucional e gestão participativa (Tavares & Oliveira, 2023). A cogestão, ao reunir comunidades, governos e saberes locais, fortalece a gestão socioecológica. Em Areia-PB, analisam-se as estratégias de cogestão no turismo cafeeiro como caminho para o desenvolvimento sustentável, conciliando identidade territorial, conservação ambiental e geração de renda
Problema de Pesquisa e Objetivo
Diante desse contexto, pergunta-se: como as estratégias de cogestão vêm sendo articuladas no planejamento do turismo cafeeiro no município de Areia-PB, considerando a integração entre os atores locais, os saberes tradicionais e os princípios do desenvolvimento sustentável? Assim, esta pesquisa tem como objetivo analisar as estratégias de cogestão no planejamento turístico cafeeiro de Areia-PB.
Fundamentação Teórica
A cogestão fortalece a resiliência social e a conservação de sistemas socioecológicos ao integrar comunidades locais na tomada de decisão. No turismo cafeeiro, essa abordagem promove o uso sustentável dos recursos, valorizando o “terroir”, as identidades territoriais e os saberes locais (Tavares, 2023). Em Areia-PB, a retomada da cafeicultura aliada ao turismo revela o potencial do planejamento participativo para impulsionar o desenvolvimento sustentável e gerar novas dinâmicas socioeconômicas.
Metodologia
Adotou-se uma abordagem qualitativa, exploratória-descritiva (Godoy, 1995), baseada no modelo de Adger (2000), adaptado para três sistemas: produtivo, natural e de governança. Realizou-se uma Revisão Sistemática da Literatura (Web of Science e Scopus, 15/02/2024) com palavras-chave como ecoturis, ecosystem services e socio-ecological resilience, complementada por entrevistas semiestruturadas com gestores de dois projetos de cafeicultura na Paraíba. Os dados foram analisados via Análise de Conteúdo, com auxílio de NVivo, Rayyan, Zotero, Connected Papers e VosViewer.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise de conteúdo revelou duas categorias: (1) Cogestão, com atores como universidade, ATURA e produtores integrando saberes locais e turismo (G. Podestá, 2025), e (2) Turismo de experiência, valorizando o terroir e identidade cultural. Apesar da participação ativa da comunidade e empresas privadas (Sebrae, Embrapa), há fragilidade nas políticas públicas (promessas não concretizadas). O turismo cafeeiro em Areia (PB) fortalece o desenvolvimento rural, contrastando com a centralização histórica, mas ainda carece de assistência técnica voltada ao turismo, não só à agricultura.
Considerações Finais
A cogestão do turismo cafeeiro em Areia-PB, revelando carência de políticas públicas e incentivos governamentais para consolidar a atividade. Apesar do potencial turístico, faltam assistência técnica especializada e planejamento para experiências sensoriais e gestão de demanda. Os gestores precisam buscar créditos e selos turísticos, não apenas apoio agrícola. A riqueza histórica e cultural do município, associada ao conceito de "terroir", surge como diferencial competitivo, permitindo a descentralização turística e o desenvolvimento de produtos gastronômicos locais.
Referências
Adger, W. N. (2000). Social and ecological resilience: are they related?. Progress in human geography, 24(3), 347-364.
Olsson, P., Folke, C., & Hahn, T. (2004). Social-ecological transformation for ecosystem management: the development of adaptive co-management of a wetland landscape in southern Sweden. Ecology and society, 9(4).
Tavares, B. C., & De Oliveira, A. N. (2023). A oferta de Turismo de Cafés pela perspectiva dos (as) cafeicultores (as) brasileiros (as). PASOS Revista de Turismo y Patrimonio Cultural, 21(3), 551-562.