Introdução
O pensamento de Humberto Maturana desafia dualismos da modernidade ao propor uma visão integradora da vida, do conhecimento e da convivência. Da autopoiese à ética do conviver, suas obras oferecem aportes decisivos para gestão, design e sustentabilidade. Este ensaio busca mobilizar criticamente essa trajetória, em diálogo com referenciais da complexidade, para iluminar dilemas contemporâneos e propor leituras aplicadas a contextos organizacionais, projetuais e socioambientais.
Fundamentação e Discussão
A análise comparativa das obras de Maturana identifica quatro eixos: gestão como processo autopoiético, design como construção de realidades consensuais, sustentabilidade como ética do reconhecimento e convergência integradora. O diálogo com Morin, Gadamer, Santos e outros autores amplia e tensiona a leitura, evitando reducionismos. Essa abordagem crítica mostra como o pensamento maturaniano pode inspirar práticas inovadoras e éticas em contextos complexos.
Conclusão
A trajetória de Maturana revela um percurso coerente da biologia à ética, com impacto direto na gestão, no design e na sustentabilidade. Seu pensamento rompe dualismos, afirma a objetividade entre parênteses e propõe a ética do conviver como horizonte normativo. Ao articular ciência, filosofia e prática, oferece subsídios para inovação responsável e sustentabilidade ética, reforçando que toda decisão é também escolha ética que molda convivência e futuro coletivo.
Referências
BONSIEPE, G. Design: do material ao digital. São Paulo: Blücher, 2015.
GADAMER, H. G. Verdade e método I. Petrópolis: Vozes, 2008.
HABERMAS, J. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1990.
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MATURANA, H. Cognição, ciência e vida cotidiana. Belo Horizonte: UFMG, 2001.
MATURANA, H.; VARELA, F. A árvore do conhecimento. São Paulo: Palas Athena, 1995.
MORIN, E. Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 2015.
SANTOS, B. de S. Um discurso sobre as ciências. São Paulo: Cortez, 2002.