Resumo

Título do Artigo

BNDES E FINANCIAMENTO CLIMÁTICO - UMA ANÁLISE DOS DESEMBOLSOS ALINHADOS À CONTRIBUIÇÃO NACIONALMENTE DETERMINADA (NDC) BRASILEIRA
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Tema

Estratégia para a Sustentabilidade

Autores

Nome
1 - Chana Michelli Brum Guillen
Universidade Federal da Bahia - Escola de Administração Responsável pela submissão
2 - Maria Elisabete Pereira dos Santos
Universidade Federal da Bahia - Administração
3 - ANDRÉA CARDOSO VENTURA
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA - Escola de Administração

Reumo

Introdução
A mudança climática é um dos maiores desafios globais da atualidade, com efeitos que ampliam vulnerabilidades socioambientais e desigualdades sociais. A transição para uma economia de baixo carbono exige transformação em múltiplos setores e depende da mobilização de financiamento climático. Nesse contexto, os bancos de desenvolvimento assumem papel potencialmente relevante.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Há poucos estudos sobre a atuação dos bancos de desenvolvimento no que se refere a atribuição e distribuição de recursos, aos determinantes da alocação de recursos e sobre os impactos empíricos das políticas de financiamento climático. O objetivo do estudo é analisar os desembolsos de financiamento climático do BNDES entre 2015 e 2023, avaliando volume de recursos, setores e regiões das empresas contempladas.
Fundamentação Teórica
A literatura aponta lacunas na efetividade do financiamento climático, sobretudo em relação à alocação de recursos, critérios de transparência e impactos reais. Autores como Carè e Weber (2023) destacam a ausência de uma taxonomia clara, enquanto Bhandary, Gallagher e Zhang (2021) ressaltam o papel dos bancos de desenvolvimento na transição climática, condicionado à governança e integração de critérios ambientais e sociais.
Metodologia
Trata-se de estudo descritivo e exploratório, baseado em dados de desembolsos NDC do BNDES referentes a 2015-2023. As informações foram obtidas via Lei de Acesso à Informação (Fala BR/CGU) e contemplam informações de desembolsos organizadas em planilha com variáveis como ano, setor, região, porte da empresa e valor desembolsado. Utilizou-se análise descritiva e tabelas dinâmicas no Excel para analisar as alocações. T
Análise e Discussão dos Resultados
O estudo revela desembolsos de R$ 99 bilhões para projetos NDC (13% do total do período), com concentração no setor de energia elétrica (47%) e forte destinação às regiões Sudeste e Nordeste (86%). Além disso, observou-se que setores críticos para as emissões brasileiras, como florestas e uso da terra, receberam proporção bastante reduzida dos recursos. A comparação internacional mostra crescimento do financiamento climático global, contrastando com a redução relativa da participação do BNDES, evidenciando desalinhamento com o perfil das emissões.
Considerações Finais
A alocação dos recursos climáticos pelo BNDES privilegia setores e regiões que não refletem proporcionalmente as fontes de emissões nacionais, limitando sua contribuição à mitigação. A concentração em energia elétrica e em determinadas regiões sugere priorização de agendas já consolidadas, em detrimento de áreas críticas, como desmatamento. Além disso, a variação anual dos desembolsos parece influenciada por mudanças de governo, e não por estratégias consistentes de financiamento climático.
Referências
BHANDARY, R. R.; GALLAGHER, K. P.; ZHANG, F. Climate finance policy in practice: A review of the evidence. Climate Policy, v. 21, n. 4, p. 529–545, 2021. BRASIL. Controladoria-Geral da União. Serviço de Informações ao Cidadão da Controladoria-Geral da União (SIC/CGU). Brasília: CGU, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/cgu/pt-br/acesso-a-informacao/servico-informacao-cidadao-sic. Acesso em: 28 abr. 2025. CARÈ, R.; WEBER, O. Climate finance: Towards a taxonomy for climate finance studies. Journal of Sustainable Finance & Investment, 2023.