Introdução
O ESG, consolidado como diretriz para grandes corporações, ainda se mostra distante das micro e pequenas empresas (MPEs) devido a custos, burocracia e linguagem técnica. Este artigo apresenta a formulação da metodologia ESG Criativo & Local como proposta inovadora e territorialização para democratizar práticas sustentáveis no cotidiano das MPEs. Fundamentada em epistemologias críticas e no conceito de tecnologias sociais, organiza-se em quatro eixos (ético, político, territorial e epistemológico) e três dimensões operacionais: inovação contextual, criatividade situada e co-criação.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O desafio central está em superar a distância entre o discurso global do ESG e a prática cotidiana das micro e pequenas empresas, marcadas por limitações estruturais e ausência de ferramentas acessíveis. O problema que orienta este artigo é: de que forma trazer o ESG às realidades locais sem perder consistência conceitual? O objetivo é apresentar a formulação da metodologia ESG Criativo & Local como alternativa crítica, territorializada e aplicável, voltada à democratização da sustentabilidade entre MPEs.
Fundamentação Teórica
A literatura crítica contrapõe modelos tecnocráticos a perspectivas locais. Leff (2001) propõe a racionalidade ambiental como ruptura da lógica produtivista, convergindo com Hall (2008), que denuncia o uso instrumental da sustentabilidade. Escobar (2015) defende o pluriverso, em diálogo com Buarque (2002) e Sachs (2004), que reforçam inclusão social e territorialidade. Santos (2007) alerta para o epistemicídio, complementado por Haraway (1988) e Stengers (2008), que sustentam saberes situados e ciência lenta. Essas vozes convergem na urgência de metodologias de sustentabilidade para MPEs.
Metodologia
A formulação seguiu uma lógica qualitativa e exploratória, inspirada no ciclo “construir–medir–aprender” de Ries (2011). O processo incluiu: (i) fundamentação teórica na matriz crítica de sustentabilidade (Oliveira & Bueno, 2025); (ii) revisão e diálogo exploratório com mais de 60 associações comerciais para identificar lacunas ESG em MPEs;.(iii) doze reuniões remotas e duas visitas presenciais, que evidenciaram a necessidade de incluir colaboradores; e (iv) avaliações técnicas das microentregas realizadas por pares da engenharia ambiental,considerando seus limites frente a normativas vigentes
Análise e Discussão dos Resultados
A análise confirmou o afastamento entre o ESG corporativo e as MPEs, evidenciado em barreiras cognitivas nas associações — do desconhecimento conceitual ao ceticismo explícito de dirigentes. Tal quadro reforça o alerta de Santos (2007) sobre epistemicídio e a necessidade de saberes situados (Haraway, 1988). Embora parte das lideranças reconheça a relevância do tema, relataram dificuldades em sensibilizar empresários, o que válida a dimensão pedagógica da metodologia. As avaliações técnicas mostraram limites normativos das microentregas, confirmando seu caráter iterativo e crítico.
Considerações Finais
A metodologia ESG Criativo & Local avança ao propor uma tradução crítica do ESG para micro e pequenas empresas, priorizando territorialidade, acessibilidade e inclusão. Seu caráter qualitativo e iterativo permite responder a desafios culturais e normativos sem reproduzir modelos corporativos. Como contribuição prática, oferece ferramentas aplicáveis às MPEs; como contribuição científica, insere-se nas metodologias críticas, reforçando a adaptação do ESG a contextos locais e indicando a necessidade de validação empírica futura.
Referências
LEFF, E. Epistemologia ambiental. São Paulo: Cortez, 2011.
OLIVEIRA, K. C. M.; BUENO, G. Ressignificando a sustentabilidade no turismo: uma matriz epistemológica crítica e plural. Anais do SemeAd, 2025 (no prelo).
RIES, E. The Lean Startup: how today’s entrepreneurs use continuous innovation to create radically successful businesses. New York: Crown,
SANTOS, B. S. Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2011.