Introdução
A eco-inovação pode ser conceituada como o desenvolvimento de produtos, processos, sistemas ou serviços que contribuem para a sustentabilidade (RENNINGS, 2000). Esta abordagem tem ganhado destaque como uma estratégia para alinhar crescimento econômico, proteção ambiental e impacto social positivo. Considerando que a eco-inovação requer a integração de conhecimentos e recursos que muitas vezes transcendem as capacidades individuais das organizações, empresas estabelecidas e startups têm buscado parcerias, visando acelerar o desenvolvimento de soluções sustentáveis (TESSARIN et al., 2020).
Problema de Pesquisa e Objetivo
Diante desse contexto, surge a seguinte pergunta de pesquisa: Como ocorre o processo de cooperação interorganizacional entre empresas estabelecidas e startups para o desenvolvimento de eco-inovação? Este estudo teve como objetivo principal avançar na compreensão dos mecanismos de cooperação interorganizacional para a eco-inovação na parceria entre empresas estabelecidas e startups. Como objetivos específicos, foram identificados os modelos de cooperação utilizados e foram mapeados os benefícios esperados, os principais desafios e as estratégias de gestão da cooperação adotadas.
Fundamentação Teórica
A cooperação entre empresas estabelecidas e startups pode ocorrer por meio de diferentes formatos, desde acordos contratuais formais até arranjos mais informais e flexíveis. As startups são caracterizadas por sua capacidade de inovar de forma rápida e ágil em meio a cenários de grande incerteza. Em contraste, as empresas consolidadas dispõem de recursos financeiros e acesso ao mercado, além de processos mais estruturados para implementação de suas operações. Estratégias como a melhoria inovadora até a articulação do ecossistema podem amenizar os desafios da interação (BAGNO et al., 2023).
Metodologia
Foi adotada uma abordagem qualitativa, com coleta de dados realizada por meio de entrevista semiestruturada, com doze gestores de inovação vinculados a empresas de diferentes setores. A seleção das empresas baseou-se na presença no ranking Prêmio Valor Inovação Brasil (2024), a fim de garantir a participação de organizações com experiência consolidada. O roteiro das entrevistas foi elaborado a partir dos objetivos da pesquisa. Em relação à análise dos dados, adotou-se uma abordagem de categorias, sendo os doze entrevistados identificados pela letra "E" seguida de um número de 1 a 12.
Análise e Discussão dos Resultados
Como resultados, destacam-se o Capital de risco Corporativo e as Competições como os modelos de cooperação mais utilizados pelas empresas analisadas. Ainda, a Flexibilidade e acesso a novas tecnologias bem como a Agilidade foram os principais benefícios esperados pelas empresas. Por fim, a cooperação com startups também evidenciou desafios, dentre os quais se destaca o choque cultural. Uma estratégia central é o desenvolvimento de áreas de inovação ou equipes dedicadas que funcionam como uma ponte, com maior autonomia para traduzir as necessidades de ambos os lados e acelerar processos.
Considerações Finais
A partir do objetivo do estudo, dos diversos mecanismos de cooperação mapeados bem como dos desafios já identificados na literatura sobre cooperação entre empresas estabelecidas e startups, academicamente, os resultados contribuem para a literatura de gestão e inovação ao aprofundar o entendimento da teoria da inovação aberta e seu impacto no domínio socioambiental, a partir do desenvolvimento de eco-inovação. Por fim, sugere-se como estudos futuros, a avaliação dos mecanismos de governança e resultados das parcerias ao longo do tempo.
Referências
BAGNO, Raoni Barros et al. Startup engagement: a strategy framework for established companies. Innovation & Management Review, v. 21, n. 3, p. 182-197, 2024.
RENNINGS, Klaus. Redefining innovation—eco-innovation research and the contribution from ecological economics. Ecological Economics, v. 32, n. 2, p. 319-332, 2000.
TESSARIN, Milene Simone; SUZIGAN, Wilson; GUILHOTO, Joaquim José Martins. Cooperação para inovar no Brasil: diferenças segundo a intensidade tecnológica e a origem do capital das empresas. Estudos Econômicos, v. 50, n. 4, p. 671-704, 2020.