Introdução
Relatórios de sustentabilidade constituem instrumentos relevantes que promovem envolvimento e transparência sobre como empresas interagem com o ambiente externo e geram valor para stakeholders. Sua adoção proporciona benefícios internos e externos, sendo ferramenta estratégica para compreender processos e práticas da gestão organizacional. A divulgação de informações de responsabilidade social corporativa é fortalecida por um conselho eficaz. A mensuração da qualidade ainda é escassa, antes baseada em páginas ou palavras, mas os princípios da GRI propõem critérios para aprimorar a informação.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Diante dos efeitos relevantes da qualidade da divulgação dos relatórios de sustentabilidade e das características da Governança Corporativa em empresas de capital aberto, questiona-se: Qual associação existe entre qualidade dos relatórios de sustentabilidade e características da Governança Corporativa? Esta pesquisa analisa a relação da qualidade dos relatórios de sustentabilidade e as características da Governança Corporativa em empresas brasileiras de capital aberto no período de 2020 a 2024.
Fundamentação Teórica
Os oito princípios de relato da GRI asseguram a qualidade dos relatórios de sustentabilidade, permitindo avaliações fundamentadas e reduzindo o risco informacional. Governança Corporativa assume relevância ao estabelecer práticas de gestão e estruturas de supervisão capazes de mitigar riscos e fortalecer a integridade, a responsabilidade e a confiabilidade no processo de relato. Mecanismos estruturais de GC podem mitigar riscos de baixa transparência e impactar no nível e na confiabilidade das informações.
Metodologia
Pesquisa longitudinal, descritiva e quantitativa, com tratamentos estatísticos na coleta e análise de dados. Amostra de 71 empresas de capital aberto da Refinitiv Eikon® com relatórios de sustentabilidade publicados em 2020-2024, totalizando 355 observações. Utilizou-se regressão linear com dados em painel, com variável dependente a qualidade dos relatórios, considerando princípios da GRI mensurados por ESG Score, ESG Reporting Scope e CSR Strategy Score, e independentes; tamanho e independência do conselho, dualidade do CEO, mulheres no conselho e comitê de sustentabilidade.
Análise e Discussão dos Resultados
H1 não suportada, indicando que tamanho do conselho não determina a qualidade da divulgação de RS. H2 com resultados positivos e significativos, mostrando que conselheiros independentes ampliam transparência e qualidade do disclosure. H3 confirmada, com efeito negativo da dualidade do CEO, sugerindo que concentração de poder compromete a governança e reduz divulgação. H4 confirmou associação positiva da presença de mulheres no conselho, ampliando qualidade dos RS. H5 também foi confirmada, mostrando que o comitê de sustentabilidade fortalece a gestão e a divulgação estratégica de informações.
Considerações Finais
Os resultados contribuem para compreensão das melhores práticas de GC no impacto da qualidade dos relatórios de sustentabilidade, demonstrando que estruturas de governança favorecem os processos de monitoramento efetivos e incentivam a adoção de práticas de divulgação mais robustas, ampliando a credibilidade dos relatórios perante os stakeholders e contribuindo para a legitimação das organizações no mercado e na sociedade. Limitação percebida pela ausência de dados na Refinitiv Eikon®. Sugere-se aplicar a mensuração proposta nesta pesquisa em empresas de outros países.
Referências
ADEL, C. et al. Is corporate governance relevant to the quality of corporate social responsibility disclosure in large European companies? International Journal of Accounting & Information Management, v. 27, n. 2, p. 301-332, 2019.
SEBRINA, N. et al. Analysis of sustainability reporting quality and corporate social responsibility on companies listed on the Indonesia stock exchange. Cogent Business & Management, v. 10, n. 1, 2023.