Resumo

Título do Artigo

DIVERSIDADE DE GÊNERO EM CARGOS DE LIDERANÇA: O ALCANCE E OS LIMITES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA.
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Tema

Responsabilidade Social Corporativa

Autores

Nome
1 - Romulo Alves Soares
Universidade de Fortaleza - UNIFOR - Mestrado Profissional em Administração Responsável pela submissão
2 - Ana Rita Pinheiro de Freitas
Universidade de Fortaleza - UNIFOR - MESTRADO PROFISSIONAL EM ADMINISTRAÇÃO / CENTRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO E GESTÃO
3 - Thayanne Lima Duarte Pontes
Universidade de Fortaleza - UNIFOR - Universidade da Beira Interior
4 - Tamires Pimentel Torres
Universidade de Fortaleza - UNIFOR - Universidade de Fortaleza
5 - Nayara Sousa dos Santos
Universidade de Fortaleza - UNIFOR - Administração

Reumo

Introdução
Apesar dos avanços das últimas décadas em questões ligadas à diversidade, mulheres seguem sub-representadas em cargos de comando. Tal situação reflete o fenômeno do chamado teto de vidro, que limita a ascensão de minorias a posições estratégicas. Considerando o contexto brasileiro, o país ocupa a 92ª posição no ranking global de paridade de gênero (WEF, 2025). Nesse cenário, torna-se essencial investigar se práticas de responsabilidade social corporativa (RSC) podem reduzir barreiras e ampliar a inclusão em postos de liderança.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O problema central é compreender se a RSC, especialmente as práticas voltadas a empregados, influencia a inclusão de mulheres e minorias em cargos de liderança. O objetivo do estudo é analisar, em empresas brasileiras de capital aberto, se dimensões como equidade salarial, diversidade e direitos trabalhistas favorecem o acesso a cargos gerenciais e executivos.
Fundamentação Teórica
Embora a presença feminina no mercado de trabalho tenha crescido, sua participação em cargos de liderança permanece limitada pelo teto de vidro, que combina barreiras culturais, redes exclusivas e critérios subjetivos de avaliação (Cotter et al., 2001). Nesse contexto, a RSC surge como possível mecanismo de mudança, pois políticas de equidade, inclusão e remuneração justa podem favorecer carreiras mais diversas (Grosser; Moon, 2005; Cook; Glass, 2017), ainda que evidências mostrem efeitos distintos entre países e riscos de caráter meramente simbólico (Mun; Jung, 2017; Kirsch, 2018).
Metodologia
Foi construído um painel balanceado com 130 empresas listadas na B3 entre 2022 e 2024 (390 observações). Os dados de diversidade foram obtidos nos Formulários de Referência da CVM e combinados a escores de RSC da CSRHub. As variáveis dependentes medem, por meio de odds ratios, as chances de mulheres e pessoas não binárias ascenderem a cargos de liderança e diretoria executiva. As análises incluíram estatísticas descritivas, regressões com efeitos fixos e testes de robustez com variáveis instrumentais.
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados indicam que três dimensões de RSC, práticas de compensação e benefícios, e de diversidade e direitos trabalhistas, estão positivamente associadas ao acesso a cargos de liderança. Em contrapartida, não se observaram efeitos significativos para a diretoria executiva, sugerindo que o impacto da RSC se concentra em níveis intermediários. Esse padrão reforça o “paradoxo da presença”, no qual ganhos estatísticos de diversidade não resultam em redistribuição efetiva de poder (Fitzsimmons et al., 2014).
Considerações Finais
O estudo mostra que práticas de RSC contribuem para ampliar as chances de inclusão em cargos de liderança intermediária, mas permanecem limitadas nos níveis executivos. Do ponto de vista teórico, reforça a visão crítica de que a RSC pode operar de forma seletiva e simbólica. Na prática, sugere que medidas adicionais, como cotas, revisão de critérios de promoção e mecanismos de responsabilização, são necessárias para romper o teto de vidro. Limitações incluem o curto período de observação e o uso de indicadores agregados.
Referências
COOK, A.; GLASS, C. Women on corporate boards: do they advance corporate social responsibility? Human Relations, v. 71, n. 7, p. 897-924, 2018. COTTER, D. A. et al. The glass ceiling effect. Social Forces, v. 80, n. 2, p. 655-681, 2001. GROSSER, K.; MOON, J. Gender mainstreaming and corporate social responsibility. Journal of Business Ethics, v. 62, p. 327-340, 2005. LIN, W. T.; LEE, C. L.; AHLSTROM, D. Internationalization and breaking the glass ceiling. International Business Review, v. 32, n. 1, p. 1-15, 2023. WORLD ECONOMIC FORUM. Global gender gap report 2025. Genebra: WEF, 2025.