Introdução
As práticas agroecológicas ganham força como paradigma produtivo, valorizando saberes tradicionais. As feiras agroecológicas ampliam o acesso a alimentos por circuitos curtos, promovendo segurança alimentar no território. Estudos destacam seu papel econômico e social e, quando situadas em universidades, a interação com o público acadêmico fortalece vínculos produtor–consumidor, dinamiza a economia local e favorece o desenvolvimento sustentável.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Persistem lacunas de dados que dificultam mensurar renda, custos e rentabilidade das feiras, limitando avaliações comparáveis. Pergunta-se: quais lacunas impedem medir seu impacto econômico? O estudo propõe construir um Quadro de Dados Mínimos Essenciais (DME) e um protocolo replicável de coleta padronizada, relacionando recursos investidos, processos de comercialização e resultados em renda e segurança alimentar, com base em revisão sistemática.
Fundamentação Teórica
Embora reconhecidas por benefícios sociais e econômicos, as feiras carecem de métricas padronizadas para monitoramento e comparação. O DME e o protocolo de coleta buscam suprir essa lacuna, permitindo acompanhar a evolução econômica de forma confiável. A ferramenta subsidiará políticas públicas mais efetivas, orientando decisões e o uso de recursos, com foco em melhorias concretas e sustentáveis na renda das famílias agricultoras e na segurança alimentar das comunidades.
Metodologia
Realizou-se revisão sistemática (PRISMA) sobre mensuração econômica em feiras agroecológicas. A busca ocorreu no Google Acadêmico, com o descritor “feira agroecológica”, no período 2023–2024. Incluíram-se estudos com aplicação empírica e descrição de variáveis/indicadores econômicos; excluíram-se ensaios e revisões sem método. A seleção envolveu triagem de títulos/resumos e leitura integral. Os dados foram extraídos em matriz (OF/DE/PR/CU/PE/EQ/CE/OU) e sintetizados por agregação temática; materiais no OSF.
Análise e Discussão dos Resultados
Base com 581 indicadores (77 estudos), em nove campos e oito categorias (OF, DE, PR, CU, PE, EQ, CE, OU), revelou distribuição assimétrica (maior peso de CU, CE, PR) e alta heterogeneidade de unidades, periodicidades e métodos. O DME padroniza definições, unidades e frequência, equilibrando robustez econômica e exequibilidade. Por eixo: OF (capacidade/mix), DE (tração/fidelização), PR (portfólio/certificação), PE (receita/ticket/cesta sentinela), EQ (distribuição/Gini), CE (custos/infraestrutura) e OU (perdas, clima, parcerias).
Considerações Finais
O estudo apresentou um DME e um protocolo replicável que padronizam indicadores (definição, unidade, periodicidade) e permitem monitoramento rápido e comparável das feiras. O instrumento fortalece a governança, orienta decisões de curto prazo, qualifica a sustentabilidade econômica (margens por banca, produtividade, efeitos distributivos) e ativa ciclos de melhoria. Limitações: busca restrita (Google/descritor/2023–2024), autodeclaração, periodicidade por edição e baixa cobertura ambiental/nutricional.
Referências
DE LIMA, Arlindo Jesus Prestes. Dinâmica agrária, agricultura sustentável e sistemas de produção agroecológica. OBSERVATÓRIO DE LA ECONOMÍA LATINOAMERICANA, v. 23, n. 5, p. e10044-e10044, 2025.
MORAIS PEREIRA, Valeska Rodrigues; DE SÁ KONESKI, Álvaro Lívio. EDUCAÇÃO POPULAR E AGROECOLOGIA COMO AGENTES DE EMPODERAMENTO FEMININO COM AS MARISQUEIRAS DA COMUNIDADE DE BARREIRAS/RN. Revista Foco (Interdisciplinary Studies Journal), v. 18, n. 7, 2025.
OLIVEIRA, Guilherme. Avaliações de Impactos Ambientais para a produção Agroecológica: Avaliações de Impactos Ambientais para a produção Agroecológica.