Introdução
As denominadas "Amazônias", verde e azul, configuram-se como ativos estratégicos de dimensões globais, cujas funções ecossistêmicas transcendem fronteiras nacionais e assumem relevância planetária. A Amazônia terrestre, conforme demonstram os estudos desenvolvidos por Lovejoy e Nobre (2019), desempenha papel fundamental na regulação climática global, atuando como um dos principais mecanismos de estabilização térmica do planeta, além de constituir o maior repositório de biodiversidade terrestre conhecida.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Esta problemática suscita o questionamento central sobre quais modelos de governança podem garantir o exercício efetivo da soberania brasileira sobre os domínios territoriais das Amazônias Verde e Azul. Desta forma, a presente investigação tem por objetivo analisar, por meio de revisão sistemática de literatura (RSL), os arcabouços teórico-conceituais e as práticas empíricas de governança territorial aplicáveis ao exercício da soberania brasileira.
Fundamentação Teórica
Pesquisas desenvolvidas por Hilmi et al. (2021) demonstram que formações vegetais costeiras, incluindo manguezais, pradarias marinhas e marismas, apresentam taxas de sequestro de carbono até dez vezes superiores às observadas em florestas terrestres quando analisadas por unidade de área. A incorporação sistemática do carbono azul em estratégias integradas de mitigação climática e conservação marinha representa uma abordagem metodológica sustentável e cientificamente fundamentada para o manejo adequado de recursos marinhos.
Metodologia
O processo investigativo fundamentou-se nas três dimensões metodológicas centrais preconizadas por Tranfield, Neuer e Smart (2003): Planejamento da revisão (01), Condução da revisão (02) e Relato e Disseminação (03).
Análise e Discussão dos Resultados
A análise sistemática dos 33 estudos selecionados revela um panorama complexo e multidimensional dos modelos de governança territorial aplicáveis ao exercício da soberania brasileira sobre o ecossistema amazônico terrestre e marítimo. Os achados evidenciam a necessidade de uma nova geopolítica ambiental que transcende as concepções tradicionais e soberanas, configurando-se como um campo de tensões e convergências entre demandas nacionais e globais de conservação ecossistêmica.
Considerações Finais
A presente investigação contribui para o avanço do conhecimento acadêmico na intersecção entre estudos de governança, geopolítica ambiental e soberania territorial, evidenciando que o exercício efetivo da soberania sobre as Amazônias Verde e Azul transcende as concepções tradicionais de controle territorial exclusivo.
Referências
HILMI, N. et al. The Role of Blue Carbon in Climate Change Mitigation and Carbon Stock Conservation. Frontiers in Climate, v. 3, 2021. Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/climate/articles/10.3389/fclim.2021.710546. Acesso em: 10 ago. 2025.
LOVEJOY, T. E.; NOBRE, C. Amazon tipping point: last chance for action. Science Advances, Washington, v. 5, n. 12, p. 1-2, dez. 2019.
TRANFIELD, D.; DENYER, D.; SMART, P. Towards a methodology for developing evidence-informed management knowledge by means of systematic review. British Journal of Management, v. 14, n. 3, p. 207-222, set. 2003.