Introdução
As mudanças climáticas intensificam riscos urbanos e exigem políticas públicas de adaptação. No Brasil, enchentes, secas e aumento das temperaturas ampliam vulnerabilidades sociais e infraestruturais. Este estudo investiga se a produção acadêmica nacional acompanha tais desafios, mapeando dissertações e teses sobre adaptação climática urbana sob a ótica da gestão pública no período de 2013 a 2024.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O problema que orienta este estudo é a lacuna de conhecimento estruturado sobre a forma como a adaptação climática urbana vem sendo abordada em dissertações e teses brasileiras. De que maneira a produção acadêmica nacional tem tratado a adaptação climática urbana sob a ótica da gestão pública? O objetivo consiste em mapear e analisar a produção acadêmica registrada no Catálogo de Teses e Dissertações (CAPES) entre 2013 e 2024, identificando tendências, áreas de concentração e desafios para a gestão pública.
Fundamentação Teórica
A adaptação climática é entendida como a capacidade de resposta institucional aos impactos do clima (IPCC, 2014). No Estado contemporâneo, a gestão pública assume papel central no enfrentamento dos riscos, demandando planejamento integrado e coordenação multiescalar (García-Pelayo, 2009). O Plano Nacional de Adaptação (Brasil, 2016) reforça esse compromisso. A literatura internacional avança na sistematização, mas a produção nacional carece de análises estruturadas sobre o tema.
Metodologia
Trata-se de pesquisa documental e descritiva, com abordagem quali-quantitativa. Foram analisados 123 trabalhos do Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES (2013–2024), com descritores “mudanças climáticas”, “adaptação climática” e “gestão pública”. Optou-se pelo CTD por ser repositório oficial, obrigatório e confiável da produção stricto sensu, adequado a estudos bibliométricos. O recorte temporal inicia em 2013 devido à transição para o Sistema Sucupira, que gerou lacunas em metadados dos anos anteriores.
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados apontam crescimento expressivo da produção a partir de 2019, especialmente em Ciências Ambientais, Planejamento Urbano e Administração. Predominam teses de doutorado, indicando amadurecimento científico, mas persistem lacunas quanto à regionalização e à aplicação prática em políticas públicas. A concentração nas regiões Sudeste e Sul reforça desigualdades territoriais, enquanto a interdisciplinaridade sugere avanços na integração entre áreas e abordagens.
Considerações Finais
A produção nacional sobre adaptação climática urbana cresceu em quantidade e diversidade, consolidando-se como campo interdisciplinar. Contudo, permanecem desafios ligados à concentração regional, à baixa incidência de estudos aplicados e à limitada articulação entre escalas de governo. O estudo contribui ao sistematizar o estado da arte e subsidiar políticas públicas mais eficazes, destacando a importância de pesquisas que unam ciência, gestão e realidade territorial.
Referências
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima. Brasília: MMA, 2016. Disponível em: https://antigo.mma.gov.br/clima/adaptacao/plano-nacional-de-adaptacao.html . Acesso em: 23 jul. 2025.
CAPES. Catálogo de Teses e Dissertações. Disponível em: https://catalogodeteses.capes.gov.br/ . :. Acesso em: 23 mar. 2025.
GARCIA-PELAYO, Manuel. As transformações do Estado contemporâneo. Tradução de Agassiz Almeida Filho. Rio de Janeiro: Forense, 2009.