Introdução
As mudanças climáticas, a escassez de recursos naturais e a poluição impulsionaram as organizações no desenvolvimento de inovações sustentáveis, buscando uma transição para um modelo mais ecológico. De forma contrária a tal movimento, algumas organizações têm adotado estratégias de divulgação ambiental enganosas com o objetivo de se beneficiar, comportamento conhecido como greenwashing. Dado o exposto, buscou-se analisar como o design e as comunicações de sustentabilidade da Água na Caixa se relacionam às inovações sustentáveis e ao greenwashing.
Fundamentação e Discussão
São consideradas inovações sustentáveis a incrementação ou inclusão de novos produtos, serviços, processos produtivos e métodos de gestão como ferramenta de solução para problemas ambientais (Barbieri et al., 2010).
O greenwashing é a prática organizacional de fazer alegações enganosas ou infundadas sobre o seu compromisso e performance ambiental (Flammer, 2021). Pode ocorrer, também, por meio do emprego indevido de descrições, selos, nomes e rótulos para comercializar produtos, serviços, materiais e tecnologias como ambientalmente corretos (Du, 2015).
Conclusão
O caso analisado apresenta uma situação em que ambos os conceitos analisados, as inovações sustentáveis e o greenwashing, podem ser associados. A opção pelo design da embalagem no formato de caixa com forte incentivo ao reuso e com a valorização de aspectos ambientais enquadra a organização como adepta das inovações sustentáveis. Em contrapartida, a ausência de selos creditados por instituições certificadoras, a seleção de fornecedores com histórico socioambiental negativo e a inexistência de um relatório de sustentabilidade público levantam dúvidas em relação à atuação da empresa.
Referências
Barbieri, J. C. (2011). Gestão Ambiental Empresarial. Conceitos, Modelos e Instrumentos. São Paulo: Ed. Saraiva, 2011.
Du, S., Bstieler, L., Yalcinkaya, G. (2022). Sustainability-focused innovation in the business-to-business context: Antecedents and managerial implications. Journal of Business Research, v. 138, p. 117-129, 2022.
Flammer, C. (2021). Corporate green bonds. J. Financ. Econ. 142 (2), 499–516.