Introdução
A tomada de decisão médica é complexa e vulnerável a vieses cognitivos como o de confirmação, que distorce a interpretação de evidências (Kahneman, 2011), gera erros diagnósticos e terapêuticos. Este artigo visa à análise bibliométrica da produção científica brasileira (2010-2025) sobre o tema. Utilizando a Teoria de Kahneman (Sistemas 1 e 2), será mapeado o cenário nacional de pesquisa para identificar autores e temas. O objetivo é discutir estratégias de mitigação e, assim, aprimorar a segurança e a qualidade da assistência em saúde no Brasil
Problema de Pesquisa e Objetivo
A partir da análise bibliométrica da produção científica brasileira (2010–2025) na Web of Science, qual o panorama do viés de confirmação na saúde e como a Teoria de Kahneman informa estratégias para mitigar vieses na decisão clínica? O objetivo é realizar uma análise bibliométrica da produção científica brasileira em saúde, no período de 2010 a 2025, com foco no viés de confirmação em decisões médicas. A evolução temporal, as áreas temáticas e a aplicação dos conceitos de Kahneman serão exploradas por meio da análise da produção, complementada pela apresentação de casos.
Fundamentação Teórica
A complexidade da decisão em saúde exige a mitigação de vieses cognitivos, sendo o viés de confirmação uma falha que distorce o julgamento e gera erros clínicos. A Teoria de Kahneman (2011) é o pilar: o Sistema 1 (rápido/intuitivo), embora eficiente, leva a diagnósticos falhos (5,08% de erros nos EUA). O viés se manifesta ao buscar validação, negligenciando o Sistema 2 (analítico). A redução do risco requer o balanço entre intuição e análise crítica de evidências, o que garante resultados significativos, como a redução de 63,06% das mortes por vacinação (Watson et al., 2022).
Metodologia
A metodologia empregada é de natureza bibliométrica. A pesquisa utilizou a base de dados Web of Science para um período de 2010 a 2025, empregando operadores booleanos para combinar termos de vieses cognitivos, tomada de decisão e saúde. Os registros obtidos foram subsequentemente processados no software VOSviewer. Com isso, foi possível construir três redes de análise distintas para mapear o campo de estudo: coocorrência de palavras-chave, citação de autores e colaboração institucional.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise revelou uma forte rede de colaboração entre instituições nacionais, como a UFRS e internacionais, como o Memorial Sloan Kettering Cancer Center. Os temas centrais são "tomada de decisão clínica" e "raciocínio clínico", com destaque para documentos focados em diretrizes e ferramentas baseadas em evidências. A discussão aplica a teoria de Kahneman para ilustrar como a predominância do pensamento intuitivo (Sistema 1) sobre o analítico (Sistema 2) facilita a manifestação do viés de confirmação, exemplificado casos como de Steve Jobs e o fenômeno do "tratamento precoce" no Brasil.
Considerações Finais
A pesquisa revelou um aumento da produção científica sobre vieses cognitivos na decisão médica, refletindo maior conscientização sobre sua influência na segurança do paciente, e uma busca ativa por estratégias de mitigação. Os dados mostram um movimento complementar ao julgamento intuitivo com abordagens baseadas em evidências. Contudo, há uma lacuna em estudos que avaliem a eficácia das intervenções (treinamentos e protocolos). A urgência de se combater o viés de confirmação é reforçada por casos reais, e a tomada de decisão deve ser racional e alinhada à ciência para o bem-estar do paciente
Referências
O referencial bibliográfico: publicações-chave sobre vieses cognitivos e a Teoria de Kahneman (Rápido e Devagar). Foco em segurança do paciente e raciocínio clínico, com fontes que propõem estratégias de mitigação (Croskerry, Royce) e o uso de tecnologia de apoio à decisão. Estudos de caso ilustram o impacto dos vieses, desde a escolha pessoal (Steve Jobs) até a saúde pública, com análises sobre desinformação na COVID-19 (Floss, Coen), ineficácia de tratamentos e o impacto positivo da vacinação (Watson et al.). A lista também inclui diretrizes oficiais (ANVISA) e fontes metodológicas.