Resumo

Título do Artigo

A escrevivência na formação para a equidade de gênero e trabalho da mulher no cooperativismo
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Tema

Gestão de Pessoas e Sustentabilidade

Autores

Nome
1 - Pablo Samuel Silva do Nascimento
Universidade Federal do Ceará - UFC - Universidade Federal do Ceará Responsável pela submissão
2 - Laura Costa Dias
Universidade Federal do Ceará - UFC - Universidade Federal do Ceará - UFC
3 - MARIA DE NAZARE MORAES SOARES
Universidade Federal do Ceará - UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

Reumo

Introdução
O cooperativismo articulado na Economia Popular e Solidária movimenta um modelo de trabalho que propõe práticas autogestionárias e parte de experiências coletivistas a fim de corrigir as desigualdades presentes no corpo social, entrelaçando, assim, o desenvolvimento social e econômico (Soares, Rebouças, Lázaro, 2023). Dessa forma, as cooperativas da Economia Popular e Solidária convergem na questão da mulher para suas experiências, que, a partir das escrevivências, abrem-se espaços de fala aos sujeitos que a produzem para narrar suas próprias histórias e identidades.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Além disso, considerando que tais questões se intensificam no contexto do campo e do trabalho rural (Faria, 2009), torna-se fundamental criar meios e ferramentas para superar tais desigualdades que afetam as mulheres rurais, a propósito desta pesquisa, em específico as cooperadas da agricultura familiar. Assim, o presente estudo tem como objetivo compreender como a escrevivência contribui para a promoção da reflexão sobre desigualdade de gênero entre as mulheres do cooperativismo da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária – Ceará.
Fundamentação Teórica
O patriarcado determina o papel da mulher e à delega ao trabalho reprodutivo e da esfera privada. Tal cenário se intensifica no campo, onde o espaço produtivo e reprodutivo são indissociáveis, invisibilizando o trabalho da mulher na casa e na lavoura (Faria, 2009). Juntamente, a retomada das experiências, enquanto meio de reflexão, pode contribuir à tomada de consciência das desigualdades sofridas. As escrevivências, portanto, reivindicam a memória do indivíduo e, através da escrita, permite à emancipação do sujeito de papéis socialmente ditados (Evaristo, 2020; Passeggi, 2011).
Metodologia
Dessa maneira, o estudo se deu por pesquisa-ação, atrelado a formação “Desigualdade de gênero e seus impactos no trabalho da mulher no cooperativismo” realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisa em Gênero, Idade e Família (NEGIF). Ainda, usou da abordagem qualitativa para captar as relações de vida e trabalho das mulheres participantes, a partir das escrevivências e da observação participante realizada durante a formação como método de coleta de dados que, após, foram analisados com análise temática de conteúdo.
Análise e Discussão dos Resultados
Como resultado, evidencia-se como são fundamentais os espaços de partilha de vivências, como o da formação, por promoverem momentos de diálogo e apoio entre as mulheres. Nas escrevivências, observou-se que a imposição da desigualdade de gênero é centrada na designação do papel social da mulher e nos casos múltiplos de violências, sobretudo no meio familiar. Ademais, denota-se como o ambiente de trabalho das cooperativas reflete, por vezes, cenários de desigualdades entre os gêneros, gerando obstáculos às mulheres. Contudo é ainda na educação e no trabalho que estas esperam a emancipação.
Considerações Finais
Logo, a apropriação de ferramentas, como é o caso das escrevivências, qualifica o debate das trabalhadoras rurais ao priorizar suas experiências, trazendo um exercício que não só induz à reflexividade e ao aprendizado, mas também a emancipação destas no cooperativismo da agricultura familiar, como a própria libertação do tido como papel da mulher e das imposições dos papéis de gênero. Paralelamente, contribui ao trabalho nas cooperativas por elucidar as disparidades incoerentes da organização na sua prática, tornando-as mais fidedignas ao modelo autogestionário e do próprio cooperativismo.
Referências
EVARISTO, C. Escrevivência e seus subtextos In:Duarte, C; Nunes, I. Escrevivência: a escrita de nós-reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. RJ: Mina Comunicação e Arte, 2020. FARIA, N. Economia feminista e agenda de luta das mulheres do meio rural. Brasília: MDA, 2009. PASSEGGI, M. A experiência em formação. Educação, 34(2), 2011. SOARES, M; REBOUÇAS, S; LÁZARO, J. A aprendizagem coletiva e em rede desenvolvida em empreendimentos formados por mulheres da economia solidária: uma análise pós-colonialista sobre uma prática feminista de autogestão. Organizações & Sociedade, 30(106), 2023.