Resumo

Título do Artigo

AGRICULTURA FAMILIAR E COMUNIDADES QUILOMBOLAS: ANÁLISE LEXICOGRÁFICA E IMPLICAÇÕES PARA POLÍTICAS PÚBLICAS DE SUSTENTABILIDADE
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Tema

Políticas Públicas para a Sustentabilidade

Autores

Nome
1 - Romoaldo Marroque Torres
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN - CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS Responsável pela submissão
2 - WASHINGTON JOSE DE SOUZA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE -
3 - João Antonio Ellysson Costa de Medeiros
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN - ESCOLA AGRICOLA DE JUNDIAI
4 - Diego José do Nascimento Rabelo
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN - Campus Natal
5 - Guilherme Smaniotto Tres
Universidade Federal Rural do Semiárido - UFERSA - Mossoró

Reumo

Introdução
As comunidades quilombolas representam resistência cultural e dependem fortemente da agricultura familiar para garantir segurança alimentar e sustentabilidade. Contudo, enfrentam desafios como pressão do agronegócio, mudanças climáticas e exclusão de políticas públicas. Este estudo busca mapear os discursos científicos sobre agricultura familiar quilombola e suas implicações para políticas públicas de sustentabilidade no Brasil.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Quais os principais eixos discursivos na literatura científica sobre agricultura familiar quilombola e como informam o desenho de políticas sustentáveis? O objetivo é mapear classes lexicais, discutir implicações para governança ambiental e propor recomendações intersetoriais que fortaleçam políticas públicas inclusivas e socioambientalmente justas.
Fundamentação Teórica
A agricultura familiar quilombola vai além da produção, sendo expressão de identidade cultural e territorial. Estudos apontam a agroecologia como alternativa sustentável, articulada a programas como PNAE e PAA. A regularização fundiária e políticas de PSA são vistas como fundamentais para combater desigualdades, racismo ambiental e promover conservação. A literatura justifica a análise lexicográfica como estratégia para revelar padrões discursivos.
Metodologia
Pesquisa qualitativa-quantitativa com análise lexicográfica via IRaMuTeQ. O corpus de 147 resumos (2013–2024) foi coletado na Connected Papers. Após limpeza e lematização, 1.224 segmentos de texto foram processados pela Classificação Hierárquica Descendente (CHD), identificando três classes. Complementaram-se análises com nuvem de palavras e grafo de similitude, que permitiram explorar co-ocorrências e padrões discursivos.
Análise e Discussão dos Resultados
Três classes emergiram: Educação e Agroecologia (38,5%), Agricultura Familiar e Comercialização (24,9%) e Comunidade e Identidade Cultural (36,6%). As classes revelam equilíbrio entre dimensões educacionais, produtivas e identitárias. Políticas sugeridas incluem expansão do PLANAPO, apoio logístico no PAA e titulação coletiva de terras. O grafo de similitude evidenciou “agricultura familiar” como nó central, conectando desenvolvimento econômico à identidade cultural.
Considerações Finais
O estudo demonstra que a agricultura quilombola é eixo de resistência e sustentabilidade. Para políticas efetivas, recomenda-se ampliar o PRONAF com enfoque quilombola, criar fundos de PSA e fortalecer a governança participativa. Persistem desafios como regularização fundiária lenta e acesso desigual a mercados. A pesquisa evidencia a importância de reconhecer saberes tradicionais na formulação de políticas que integrem justiça social e conservação ambiental.
Referências
Almeida (2018); Altieri (2018); Triches & Schneider (2010); Torres (2024); Dias et al. (2020); Fundação Palmares (2023); IBGE (2022).