Introdução
As smart cities consolidaram-se como paradigma de modernização urbana, integrando tecnologias digitais, sensores, plataformas de dados e serviços online para tornar a gestão pública mais eficiente e orientada por informações (BATTY et al., 2012; COWLEY; JOSS; DAYOT, 2018). Embora sua expansão global prometa soluções urbanas ágeis e personalizadas, estudos apontam que a digitalização extensiva de serviços pode gerar riscos sociais, como exclusão digital, vulnerabilidade de grupos específicos e aprofundamento de desigualdades socioeconômicas (SHAYAN et al. 2020).
Problema de Pesquisa e Objetivo
Curitiba se destaca no Brasil por práticas inovadoras de governança digital, com serviços como 156, Saúde Já, e-Cidadão e Fala Curitiba, que aumentam a eficiência e o alcance do atendimento. No entanto, persistem desafios relacionados à inclusão social e aos riscos da dependência tecnológica, especialmente para populações com acesso limitado a dispositivos digitais. Este estudo analisa os impactos sociais da digitalização dos serviços públicos, refletindo tanto benefícios quanto limitações, como a ampliação de desigualdades e exclusão digital, e enfatiza a importância da governança inclusiva.
Fundamentação Teórica
A literatura sobre smart cities revela tensão entre tecnologia e inclusão social. A digitalização pode aumentar eficiência, participação e sustentabilidade (TRIVELLATO, 2017), mas também gerar exclusão e desigualdade, criando “cidades desiguais” (SENGUPTA; SENGUPTA, 2022). Falhas técnicas, ataques cibernéticos e acesso limitado exigem políticas de equidade e governança participativa (KITCHIN; DODGE, 2019). Em países em desenvolvimento, limitações de infraestrutura e recursos exigem que smart cities considerem também dimensões sociais, culturais e políticas para efetividade e inclusão.
Metodologia
O estudo adota abordagem descritiva e documental para analisar os impactos sociais da digitalização dos serviços públicos em Curitiba, com base em registros administrativos e dados oficiais, como relatórios da Prefeitura, ANATEL, IBGE (2022) e IPS Brasil (2025). A análise integrou tratamento quantitativo e interpretação qualitativa, combinando evidências empíricas e teoria sobre riscos sociais em smart cities, permitindo identificar avanços tecnológicos e riscos emergentes, destacando a necessidade de políticas inclusivas que promovam equidade e participação cidadã.
Análise e Discussão dos Resultados
Em 2025, o e-Cidadão registrou 2,5 milhões de cadastros e a Central 156, 1,4 milhão de atendimentos, 91% via aplicativo. O Saúde Já teve 16,7 milhões de acessos e o Curitiba APP, 4,1 milhões. No Fala Curitiba, participaram 35,7 mil cidadãos em 2024 e 13,8 mil até maio de 2025, com mais de 80% das interações presenciais. A cobertura 4G alcança 100% da população, com 1.429 estações. Apesar do IBC 85,15 e da renda média elevada, a cidade não está isenta de riscos sociais, que afetam sobretudo populações menos priorizadas, expostas a desigualdades, baixo letramento digital e exclusão.
Considerações Finais
O estudo apresenta que Curitiba avançou na digitalização de serviços como E-cidadão, Curitiba APP, Central 156, Saúde Já e Fala Curitiba, aumentando eficiência e agilidade na gestão urbana. Contudo, dados do IBGE, IPS e ANATEL indicam que populações periféricas ou com menor escolaridade permanecem vulneráveis à exclusão digital. A predominância da participação presencial reforça a necessidade de alternativas físicas e políticas públicas integradas que promovam alfabetização digital, inclusão social e participação cidadã, assegurando que a tecnologia contribua para equidade e coesão social.
Referências
BATTY, M. et al. Smart cities of the future. The European Physical Journal Special Topics, v. 214, n. 1, p. 481–518, 2012.
KITCHIN, R.; DODGE, M. The (In)Security of Smart Cities: Vulnerabilities, Risks, Mitigation, and Prevention. Journal of Urban Technology, v. 26, n. 2, p. 47–65, 2019.
SHAYAN, S.; KIM, K. P.; MA, T.; NGUYEN, T. H. D. The first two decades of smart city research from a risk perspective. Sustainability, v. 12, n. 21, p. 9280, 2020.