Resumo

Título do Artigo

SABEM MENOS, MAS ACREDITAM SABER MAIS: EFEITO DOS CONHECIMENTOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS DOS CONSUMIDORES NO APOIO EXTREMO AOS ALIMENTOS ORGÂNICOS
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Tema

Agronegócios e Sustentabilidade

Autores

Nome
1 - Daiane Thaise de Oliveira Faoro
-
2 - Caroline Conteratto
Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD - Agronegócios Responsável pela submissão

Reumo

Introdução
A demanda por orgânicos cresce no Brasil e no mundo, motivada por saúde e meio ambiente. Embora não haja superioridade nutricional frente aos convencionais, a percepção do consumidor, moldada por crenças e valores, influencia fortemente as compras. A literatura diferencia conhecimento objetivo (científico) e subjetivo (opiniões). Estudos mostram que consumidores com baixo conhecimento objetivo superestimam o que sabem, reforçando crenças infundadas. Assim, este estudo investiga como esses tipos de conhecimento explicam o apoio extremo aos orgânicos.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Problema de pesquisa: Apesar do crescimento da demanda por alimentos orgânicos, não há consenso científico sobre sua superioridade nutricional. No entanto, consumidores seguem apoiando intensamente tais produtos, influenciados por percepções, crenças e informações limitadas. Surge, assim, a questão: até que ponto o tipo de conhecimento – objetivo ou subjetivo – explica o apoio extremo aos alimentos orgânicos? Objetivo: Analisar a relação entre conhecimento objetivo, conhecimento subjetivo e apoio extremo dos consumidores aos alimentos orgânicos.
Fundamentação Teórica
A literatura diferencia conhecimento objetivo, baseado em evidências científicas, e subjetivo, ligado a opiniões e sentimentos individuais (WANG et al., 2021). O primeiro exclui crenças e preconceitos, enquanto o segundo reflete percepções pessoais do que se pensa saber. No contexto alimentar, a busca por uma dieta saudável e segura costuma ser associada aos orgânicos. Contudo, estudos indicam que não há superioridade nutricional em relação aos convencionais, revelando lacunas entre informação e conhecimento dos consumidores.
Metodologia
A pesquisa ocorreu entre nov/2020 e mai/2021, com 558 consumidores de diferentes regiões do Brasil. O questionário (37 itens) avaliou percepções, atitudes, conhecimento subjetivo e objetivo, além de dados sociodemográficos. O apoio extremo foi medido pela importância e aprovação atribuídas aos orgânicos (R=0,69; p<0,05). O conhecimento subjetivo derivou da autopercepção, e o objetivo de 17 afirmações científicas gerais e específicas. A análise, via SPSS, incluiu estatística descritiva, regressões simples e múltipla para verificar relações entre conhecimentos e apoio extremo.
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados revelam forte apoio aos orgânicos: mais de 90% atribuíram alta importância e aprovação. Embora 76,9% relatem boa compreensão, o desempenho em conhecimento objetivo foi baixo (4,38% em ciência geral e 3,83% em orgânicos). Regressões mostram que maior apoio associa-se a menor conhecimento real e maior confiança subjetiva, indicando superestimação. A escolaridade elevou o conhecimento científico geral, mas não o específico. Assim, o apoio extremo baseia-se em percepções e crenças, não em evidências científicas.
Considerações Finais
O estudo mostra que consumidores brasileiros têm baixo conhecimento objetivo sobre orgânicos, enquanto apoiadores extremos apresentam alta confiança subjetiva, mas pouco domínio real. O conhecimento específico é limitado e a escolaridade não melhora significativamente esse desempenho. Embora haja familiaridade com os orgânicos, a compreensão é restrita. Como limitações, destacam-se a concentração de pós-graduados e da região Sul. Futuras pesquisas devem ampliar regiões, grupos e incluir especialistas.
Referências
DE OLIVEIRA FAORO, Daiane Thaise et al. Are organics more nutritious than conventional foods? A comprehensive systematic review. Heliyon, v. 10, n. 7, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.heliyon.2024.e28288 FERNBACH, Philip M et al. Extreme opponents of genetically modified foods know the least but think they know the most. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, United States, v. 116, n. 14, p. 6571-6576, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1038/s41562-018-0520-3.