Introdução
O debate sobre o impacto das empresas transcende a mitigação de danos e alcança uma dimensão crítica e estratégica. Se, por um lado, o impacto negativo evidencia os efeitos nocivos das operações, por outro, o impacto positivo emerge como resposta ética e prática às crises globais. Articulado à agenda ESG, o impacto positivo desafia o modelo econômico vigente, propondo regeneração, inovação e responsabilidade integral como caminhos para transformar empresas em agentes de mudança social e ambiental.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Este artigo tem como objetivo analisar criticamente os conceitos e as ideias relacionados ao “impacto positivo” no contexto empresarial, com base em uma análise de conteúdo de seis obras de referência publicadas entre 2018 e 2024. Ao privilegiar obras que se destacam tanto pela consistência teórica quanto pela aplicabilidade prática, esta investigação busca contribuir para a consolidação de um arcabouço conceitual que permita compreender o impacto positivo não como uma diretriz abstrata, mas como uma proposta estratégica, ética e operacional de transformação empresarial.
Fundamentação Teórica
A fundamentação teórica parte da crítica ao modelo econômico vigente, baseado no extrativismo e na concentração de riqueza, para propor o impacto positivo como alternativa estratégica e ética. Ao analisar autores como Polman & Winston (2021), Cohen (2022), Marins (2021) e outros, o artigo evidencia dimensões centrais desse paradigma: responsabilidade corporativa integral, regeneração, colaboração intersetorial e centralidade do propósito, compondo um novo horizonte para a gestão empresarial.
Metodologia
A pesquisa adota abordagem qualitativa de caráter exploratório, ancorada na análise de conteúdo proposta por Bardin (2011). O corpus é composto por seis obras publicadas entre 2018 e 2024, selecionadas por relevância teórica e aplicabilidade prática ao tema. O processo incluiu pré-análise, codificação indutiva e interpretação crítica, permitindo identificar categorias emergentes sobre impacto positivo e suas implicações para a transformação empresarial.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise revelou cinco categorias interdependentes: responsabilidade corporativa integral, regeneração, colaboração intersetorial, centralidade do propósito e transformação das cadeias de valor. Embora os autores apresentem visões distintas, da crítica sistêmica ao capitalismo (Marins; Polman & Winston) à adaptação pragmática (Cohen; Mackey & Sisodia), há consenso sobre a urgência de redefinir o papel das empresas. A diversidade de perspectivas fortalece o campo, permitindo sua adaptação a diferentes contextos e maturidades organizacionais.
Considerações Finais
O estudo mostra que o impacto positivo constitui um paradigma em construção, que ultrapassa a mitigação de danos e exige a redefinição profunda dos objetivos empresariais. Mais que diretriz abstrata, trata-se de uma proposta estratégica, ética e operacional voltada à regeneração ambiental, justiça social e criação de valor compartilhado. A pluralidade de abordagens enriquece o campo e amplia sua aplicabilidade. Futuras pesquisas devem explorar sua implementação em contextos desiguais e propor métricas mais integradas
Referências
Bardin, L. (2011);
Cohen, R. (2022);
Freire, T., & Limeira, P. (2024);
Izzo, D., Barki, E., Torres, H. G., & Aguiar, L. (2020);
Mackey, J., & Sisodia, R. (2018);
Marins, J. (2021);
Polman, P., & Winston, A. (2021).