Introdução
O aumento populacional e as crises ambientais elevaram a geração de resíduos sólidos a níveis alarmantes. No Brasil, entre 2010 e 2022, houve crescimento de 20,9%, passando de 67 para 82 milhões de toneladas anuais, o triplo da taxa populacional (RODRIGUES et al., 2024). O conceito de cidades inteligentes, alinhado à Agenda 2030 e ao ODS 12, busca soluções integradas e sustentáveis. Nesse contexto, as Instituições de Ensino Superior, comparáveis a cidades em menor escala, assumem papel decisivo na gestão de resíduos.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Diante do contexto atual e dos estudos que destacam a capacidade das IES em implementar estratégias eficazes de gestão de resíduos, emerge a seguinte questão: Como a gestão de resíduos sólidos é planejada ou executada em uma IES? O objetivo geral é analisar a gestão de resíduos sólidos em uma Instituição de Ensino Superior pública de Campina Grande-PB, a partir de entrevistas, pesquisa documental e observação, considerando indicadores propostos por Tavares (2020).
Fundamentação Teórica
A gestão integrada de resíduos sólidos envolve dimensões políticas, econômicas e sociais, pautada no desenvolvimento sustentável (JACOBI; BESEN, 2006), e valoriza a redução, reutilização e reciclagem. No ambiente universitário, a educação ambiental é central (GILONI-LIMA; LIMA, 2008), pois os campi se assemelham a pequenas cidades (BRUM, 2020). Contudo, há limitações estruturais e de recursos (LEAL; ALEIXO; AZEITEIRO, 2022), e apenas 17% das universidades públicas possuem PGRS (OTTONI; FONSECA; PERTEL, 2022). Para analisar essa realidade, adota-se o modelo de Tavares (2020).
Metodologia
O estudo é qualitativo, com abordagem interpretativa. Além disso, é classificado como exploratório-descritivo. Como lócus de pesquisa foi selecionado o campus de uma IES pública em Campina Grande, com cursos de graduação, pós-graduação e um restaurante estudantil. A coleta incluiu pesquisa documental, entrevistas semiestruturadas e não estruturadas, grupo focal e observação. Os dados foram analisados por meio de análise de conteúdo no ATLAS.ti ,com triangulação das fontes.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise dos dados revelou a inexistência de um plano de gestão de resíduos para o campus, bem como a presença de projetos relevantes que poderiam receber maior apoio, além de iniciativas pontuais e parcerias não institucionalizadas que poderiam contribuir para uma gestão mais sustentável na instituição. São propostas algumas iniciativas que visam contribuir para aprimorar o planejamento, destacando que a conclusão do plano de gestão é imprescindível para o sucesso e a sustentabilidade da política de resíduos.
Considerações Finais
O estudo analisou a gestão de resíduos sólidos em uma IES de Campina Grande, constatando a ausência de um plano formal, embora já exista comissão e referências definidas. A gestão atual é insatisfatória, com ações pontuais e dependentes de professores, sem adesão institucional. Parcerias não formalizadas ainda não são aproveitadas. Pequenos avanços indicam potencial para maior sustentabilidade, mas é necessária mudança cultural e esforços para concluir o plano, alinhando-se à PNRS e aos ODS. Limitações incluem foco em uma única instituição e ausência de dados detalhados sobre resíduos.
Referências
GILONI-LIMA, P. C.; LIMA, V. A. D. Gestão integrada de resíduos químicos em instituições de ensino superior. Química Nova, v. 31, p. 1595-1598, 2008.
JACOBI, P. R.; BESEN, G. R. Gestão de resíduos sólidos na Região Metropolitana de São Paulo - avanços e desafios. São Paulo em Perspectiva, v. 2, n. 2, p. 90-104, 2006.
TAVARES, Edayane Evelyn Alves da Silva. Gestão de resíduos sólidos em instituições de ensino superior: um estudo de caso na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE/Campus Recife). 2020. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2020.