Introdução
A China é potência industrial global com padronização produtiva, políticas estatais e mão de obra de baixo custo (Brown, 2016; Cui; Meng; Lu, 2018). O Brasil, por sua vez, conta com a Zona Franca de Manaus (ZFM) como polo estratégico, sustentado por incentivos fiscais, Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e exigências do PPB, mas enfrenta limitações logísticas, escassez de mão de obra especializada e vulnerabilidade climática (Monsores; Oliveira, 2020). A crescente transferência de tecnologias da China para o Polo Industrial de Manaus ocorre principalmente na introdução de novos produto
Problema de Pesquisa e Objetivo
A a questão de pesquisa é: como ocorre e quais são os desafios da transferência de tecnologia entre empresas chinesas e brasileiras instaladas na ZFM? O objetivo é analisar os desafios e estratégias de adaptação enfrentados nesse processo. O estudo justifica-se pela necessidade de compreender a viabilidade de modelos industriais na Amazônia, subsidiando decisões empresariais e políticas públicas.
Fundamentação Teórica
A gestão de processos produtivos é reconhecida como elemento central da competitividade organizacional. Oliveira (2011) e Moura Junior e Reis Filho (2019) apontam que a eficiência operacional depende da identificação e melhoria contínua dos fluxos de trabalho. Em ambientes de inovação acelerada, como o eletroeletrônico, a adaptação de processos é condição para acompanhar a redução dos ciclos de vida dos produtos (Weisner et al., 2019). A comparação entre os modelos industriais da China e do Brasil revela contrastes significativos.
Metodologia
O estudo é qualitativo e aplicado, configurando-se como estudo de caso em uma empresa eletroeletrônica da ZFM com mais de 12 anos de atuação. Os dados foram coletados por meio de análise documental (normas do PPB, relatórios técnicos e fluxos de processos), entrevistas semiestruturadas com oito profissionais (seis engenheiros — quatro brasileiros e dois chineses — e dois gestores) e observação direta em setores de montagem e testes de produto. A análise seguiu a proposta de Bardin (2016), em três etapas: pré-análise, exploração do material e interpretação.
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados indicam que a transferência de tecnologia enfrenta barreiras técnicas, culturais e regulatórias. Procedimentos Operacionais Padrão (SOPs), quando recebidos em chinês, exigem tradução, simplificação visual e adequação às Normas Regulamentadoras. Diferenças culturais geram interpretações distintas: enquanto gestores chineses priorizam execução rápida e hierarquia rígida, no Brasil prevalece a valorização da conformidade legal e do bem-estar do trabalhador. A nacionalização de placas eletrônicas é apontada como um dos maiores entraves.
Considerações Finais
A pesquisa evidenciou que a transferência de tecnologia da China para a ZFM envolve mais do que replicação de sistemas produtivos: trata-se de um processo de mediação entre padrões globais e condições locais. Os principais desafios concentram-se em incompatibilidades regulatórias, custos de nacionalização, diferenças culturais e limitações técnicas. As estratégias mais eficazes envolveram a customização de procedimentos, a automação de testes e a criação de mecanismos de diálogo intercultural. Os resultados oferecem subsídios práticos à implementação de novos produtos no PIM.
Referências
BROWN, R. C. Chinese Workers Without Benefits. SSRN Electronic Journal, 2016.
MONSORES, C. O.; OLIVEIRA, G. B. Lei de Maquila e a atração de empresas brasileiras. Revista Brasileira de Planejamento e Desenvolvimento, 2020.
WEISNER, K. et al. Increasing flexibility of employees in production processes. 2019.