Resumo

Título do Artigo

CARACTERÍSTICAS DO COMITÊ DE AUDITORIA E A CLASSIFICAÇÃO ESG: EVIDÊNCIAS NAS EMPRESAS DE CAPITAL ABERTO DO MERCOSUL
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Tema

Governança e Sustentabilidade em Organizações

Autores

Nome
1 - Samuel Santos de Jesus Carvalho
Universidade Federal da Bahia - Faculdade de Ciências Contábeis (FCC) Responsável pela submissão
2 - Antônio Gualberto Pereira
ufba - contábeis - Faculdade de Ciências Contábeis

Reumo

Introdução
A divulgação de informações relacionadas a práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) tornou-se fundamental para investidores, reguladores e sociedade, como forma de promover transparência e responsabilidade corporativa. Apesar de sua relevância, gestores podem utilizá-la de maneira estratégica para desviar a atenção de resultados negativos, reforçando a importância das agências de classificação e utilizam metodologias distintas (Martiny et al., 2024). Revisões anteriores indicam uma concentração na relação entre indicadores e o desemp. financeiro, sugerindo espaço para outros aspectos
Problema de Pesquisa e Objetivo
A literatura existente concentra-se, em grande parte, na relação entre ESG e desempenho financeiro, havendo, portanto, espaço para explorar aspectos não financeiros, como estrutura organizacional, cultura e governança. Diante disso, quais os efeitos das características do comitê de auditoria sobre os indicadores ESG em companhias abertas do Mercosul? Este estudo investiga os efeitos das características do Comitê de Auditoria sobre indicadores ESG em companhias abertas do Mercosul.
Fundamentação Teórica
Estudos mostram que, além dos fatores financeiros, elementos internos como estrutura, recursos, cultura e liderança influenciam o desempenho ESG. A independência do comitê aumenta a transparência, fortalece a auditoria e reduz práticas de manipulação de resultados. Além disso, a experiência financeira dos membros reforça a capacidade de monitoramento e resolução de conflitos, elevando a qualidade da gestão.
Metodologia
Para testar H1, utiliza-se uma regressão com dummy de presença do comitê como variável independente e os indicadores ESG como dependentes, esperando-se relação positiva. Para H2 e H3, a análise considera variáveis de independência e experiência financeira do comitê, com previsão de efeitos positivos sobre a qualidade da auditoria e sobre os resultados ESG. A população abrange 406 empresas listadas no Brasil, Argentina e Uruguai entre 1995 e 2024 (Paraguai excluído por falta de dados).
Análise e Discussão dos Resultados
Os dados indicam que 82% das empresas possuem comitê de auditoria, sendo 78% independentes, mas apenas 33% com membros experientes em finanças — o que sugere risco de conflitos e monitoramento limitado. Além disso, 67% dos membros dos comitês são independentes. Estudos anteriores mostram que fatores como tamanho da empresa, retorno por ação e independência do conselho explicam a adoção e qualidade desses comitês. Com base nisso, evidências apontam relação positiva e significativa entre as características do comitê e os indicadores analisados
Considerações Finais
O estudo demonstra que a presença e a independência do Comitê de Auditoria têm impacto positivo no desempenho ESG das companhias abertas do Mercosul, enquanto a experiência financeira dos membros não apresentou efeito significativo. A pesquisa preenche lacuna da literatura ao analisar mecanismos internos de governança como determinantes de indicadores ESG. No plano prático, os achados indicam a importância de fortalecer a independência dos comitês como forma de melhorar a transparência e a qualidade das informações corporativas.
Referências
HASSAN, Y., HIJAZI, R., & NASER, K. (2017). Does audit committee substitute or complement other corporate governance mechanisms: Evidence from an emerging economy. Managerial Auditing Journal MARTINY, A., TAGLIALATELA, J., TESTA, F., & IRALDO, F. (2024). Determinants of environmental social and governance (ESG) performance: A systematic literature review. Journal of Cleaner Production SILVA, D. L., MOTA, R. H. G., & MOURA, A. M. C. (2025). Impacto da pandemia de Covid-19 na relação entre o desempenho financeiro e o ESG das companhias abertas brasileiras. Revista Ambiente Contábil Outros...