Introdução
A escala do Novo Paradigma Ecológico foi proposta por Dunlap e van Liere (1978) e atualizada por Dunlap et al. (2000), sendo amplamente aplicada para identificar o comportamento ambiental de diferentes públicos, em diferentes áreas e em diferentes países. Estudos como os de Manoli, Johnson e Dunlap (2007), Corraliza, Collado e Bethelmy (2013), e Pires et al. (2016) demonstram sua aplicabilidade transcultural e para diferentes faixas etárias.
A escala NEP também é amplamente aplicada para jovens universitários, contexto no qual esta pesquisa se desenvolve.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Diante do questionamento “A escala NEP apresenta validade fatorial adequada para estudantes universitários brasileiros da região de Uberlândia, Minas Gerais?”, este estudo propõe como objetivo geral validar a estrutura fatorial da escala do Novo Paradigma Ecológico (NEP) em uma amostra de estudantes universitários de Uberlândia, Minas Gerais, verificando sua adequação psicométrica para o contexto brasileiro.
Fundamentação Teórica
O universitário é escolhido para pesquisas sobre o Novo Paradigma Ecológico por ser agente de reforma paradigmática. A mudança ocorre através de classes detentoras do conhecimento e formadoras de opinião (Silva Filho et al., 2009; Teisl et al., 2010). No Brasil, Bechtel, Verdugo e Pinheiro (1999) aplicaram a NEP em 505 estudantes de três países. Silva Filho et al. (2009) encontraram diferenças regionais entre RS e CE.
Metodologia
Este estudo utilizou abordagem quantitativa, exploratória e descritiva com 198 universitários de Uberlândia-MG, através de questionário estruturado incluindo a escala NEP e questões sociodemográficas. A NEP revisada possui 15 itens avaliando cinco dimensões em escala Likert de 5 pontos, com itens pares invertidos. Para validação, aplicou-se Análise Fatorial Exploratória (AFE). Dados foram tabulados no Excel e analisados no Python/Google Colab usando pandas, numpy, matplotlib, seaborn, scikit-learn e factor_analyzer.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise fatorial exploratória da escala NEP em universitários de Uberlândia revelou cinco fatores divergentes das dimensões teóricas originais de Dunlap et al. (2000), questionando a validade transcultural. O primeiro fator (Consciência da Crise Ecológica, 16,52%) e segundo (Ceticismo Ambiental, 10,41%) capturam dimensões polarizadas, sugerindo continuum bipolar. A variância explicada (46,28%) fica abaixo do ideal, indicando limitações. A emergência de fatores não correspondentes às dimensões teóricas sugere que a operacionalização do NEP não é diretamente transferível ao contexto brasileiro
Considerações Finais
Este estudo contribuiu metodologicamente ao examinar a validade da escala NEP em universitários de Uberlândia-MG. Os resultados indicam inadequação da replicação da estrutura fatorial, com limitações psicométricas, reestruturação substancial e variância explicada moderada. Sugere-se necessidade de adaptações culturais ou instrumentos específicos. Evidencia-se que instrumentos de contextos específicos requerem validação rigorosa antes da aplicação transcultural. Recomenda-se: validação confirmatória com amostras maiores, análises de invariância cultural, desenvolvimento de versões adaptadas.
Referências
Corraliza, J. A., Collado, S., & Bethelmy, L. (2013). Spanish version of the new ecological paradigm scale for children. Spanish Journal of Psychology, 16, e27, 1-8. https://doi.org/10.1017/sjp.2013.46
Dunlap, R. E., & Van Liere, K. D. (1978). The "new environmental paradigm". The Journal of Environmental Education, 9(4), 10-19. https://doi.org/10.1080/00958964.1978.10801875
Dunlap, R. E., Van Liere, K. D., Mertig, A. G., & Jones, R. E. (2000). New trends in measuring environmental attitudes: Measuring endorsement of the new ecological paradigm: A revised NEP scale. Journal of Social Issues, 5