Resumo

Título do Artigo

DIMENSÕES SIMBÓLICAS E ESTRATÉGICAS DA FORMAÇÃO AFROCENTRADA: UMA ANÁLISE TEXTUAL DE AFROEMPREENDEDORES DA ECONOMIA CRIATIVA
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Tema

Espiritualidade na Organizações

Autores

Nome
1 - Jonathan Santos Silva
Universidade Federal do Ceará - UFC - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO E CONTROLADORIA – PPAC PROFISSIONAL Responsável pela submissão
2 - Augusto Cézar de Aquino Cabral
Universidade Federal do Ceará - UFC - Universidade Federal do Ceará
3 - Sandra Maria dos Santos
Universidade Federal do Ceará - UFC - Universidade Federal do Ceará

Reumo

Introdução
Com a expansão da economia criativa e do consumo de produtos e narrativas identitárias, o mercado afro-brasileiro movimenta bilhões e reúne 15,6 milhões de empreendedores — 52% do total. Esse dinamismo amplia renda, gera empregos e ativa cadeias locais de cultura, turismo e serviços. Ainda assim, persistem gargalos de crédito, formalização e acesso a redes. Compreender como formações afrocentradas ampliam capacidades, autoestima e inovação é vital para transformar potencial econômico em impacto social sustentável.
Problema de Pesquisa e Objetivo
As formações empreendedoras ainda desconsideram marcadores raciais e contextos culturais/territoriais, limitando o desenvolvimento de afroempreendedores(as) e perpetuando barreiras de crédito, formalização e redes de apoio. Este estudo objetiva analisar os sentidos atribuídos às oficinas afrocentradas da Formmer Afro (2025) e como elas contribuem para estruturar negócios, fortalecer identidade e autoestima e valorizar ancestralidade, criatividade e espiritualidade na economia criativa.
Fundamentação Teórica
Fundamenta-se a pesquisa na compreensão do afroempreendedorismo como prática político-identitária que articula produção econômica, capital cultural e redes de solidariedade (Nascimento, 2018; Santos, 2019; Boyd, 2012). Defende-se que formações afrocentradas, enraizadas em ancestralidade e pertencimento étnico-racial, ampliam agência e inovação (Jones et al., 2024; Henry et al., 2024; Ratkovic et al., 2025). À luz da aprendizagem experiencial (Kolb, 1984) e de perspectivas interpretativas (Jafarian, 2024), as oficinas integram técnica e sentido na economia criativa (PretaHub, 2022; CAF, 2024).
Metodologia
Estudo qualitativo, de caráter descritivo-interpretativo, estruturado como estudo de caso (Yin, 2018) sobre a experiência formativa da Formmer Afro. Investigamos como as oficinas de julho/2025 (12, 19 e 26) impulsionaram competências técnicas, culturais e estratégicas de afroempreendedores(as), considerando ancestralidade e pertencimento étnico-racial (Jafarian, 2024). Participaram cinco pessoas, selecionadas por tipicidade (Gil, 2002). Dados: relatos reflexivos e observação participante. Análise: IRaMuTeQ/CHD, ?² e nuvem de palavras; triangulação assegurou consistência.
Análise e Discussão dos Resultados
Os achados indicam que as oficinas operaram em três frentes articuladas. Nos aspectos formativos, favoreceram a transição da intuição ao planejamento, com maior clareza de proposta de valor, precificação e passos de formalização. Na dimensão simbólico-identitária, reforçaram autoestima, pertencimento e redes territoriais. Na dimensão espiritual, rituais de cuidado ampliaram foco e resiliência. A CHD no IRaMuTeQ confirmou essa tríade, sugerindo que formações afrocentradas funcionam como tecnologia social de impacto na economia criativa.
Considerações Finais
Os resultados demonstram que formações afrocentradas integram saberes técnicos, identitários e espirituais, operando como tecnologia social que conjuga capacitação, reconhecimento cultural e afetividade (Primo; Paiva, 2024; Branch, 2020). Há convergência com a literatura internacional sobre educação empreendedora inclusiva, que enfatiza abordagens interseccionais e contextualizadas e efeitos positivos em públicos periféricos (Henry et al., 2024; Ratkovic et al., 2025; Dammert; Nansamba, 2023).
Referências
BOYD, R. L. The organization of an ethnic economy: urban black communities in the early twentieth century. The Journal of Socio-Economics, v. 41, n. 5, p. 633-641, 2012. DOI: https://doi.org/10.1016/j.socec.2012.05.017. BRANCH, Andrée J. Promoting ethnic identity development while teaching subject matter content: a model of ethnic identity exploration in education. Teaching and Teacher Education, v. 87, p. 1-10, 2020. DOI: https://doi.org/10.1016/j.tate.2019.102918.