Resumo

Título do Artigo

ASSOCIAÇÕES ENTRE DESEMPENHO ESG, RISCO DE MERCADO, DIVULGAÇÃO DE RISCO E A REGULAÇÃO DO SETOR
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Tema

Finanças Sustentáveis

Autores

Nome
1 - Francisca Yasmin de Aguiar Guedes
Universidade Federal do Ceará - UFC - FEAAC - Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade (UFC)
2 - Alessandra Carvalho de Vasconcelos
Universidade Federal do Ceará - UFC - Universidade Federal do Ceará - UFC Responsável pela submissão
3 - Paulo Henrique Nobre Parente
Universidade Federal da Paraíba - Universidade Federal do Ceará (UFC)

Reumo

Introdução
O desempenho ESG pode impactar positivamente as finanças ao melhorar retornos ajustados ao risco, reputação e valor da empresa (Alsayegh; Rahman; Homayoun, 2020). A qualidade da divulgação de riscos aumenta a eficiência dos investimentos e reduz a assimetria informacional. A presença de um comitê de risco contribui para monitoramento e fornecimento de informações aos investidores. Já a falta de regulação pode gerar riscos, enquanto sua existência favorece a proteção do investidor.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Quais as relações entre desempenho ESG, qualidade da divulgação de risco, risco de mercado e a regulação do setor? O objetivo geral é examinar associações entre o desempenho ESG, o risco de mercado e a qualidade da divulgação de risco em relação à regulação do setor. Têm-se os seguintes objetivos específicos: i) caracterizar o perfil das empresas quanto ao desempenho ESG, risco de mercado e a qualidade da divulgação de risco; e ii) verificar existência de diferenças no desempenho ESG e qualidade da divulgação de risco entre as empresas que possuem comitê de risco e aquelas que não possuem.
Fundamentação Teórica
A adoção de práticas ESG tem ganhado relevância, desafiando gestores e pesquisadores a aplicá-las. No Brasil, Vasconcelos et al. (2023) identificaram relação entre desempenho ESG e menor risco de mercado (2017–2021). A clareza, conforme GRI (2021), é essencial nos relatórios, e estudos (Holtz; Santos, 2020) mostram que a divulgação de riscos reduz assimetria informacional, melhora a avaliação das firmas e aumenta a eficiência dos investimentos ESG.
Metodologia
A amostra reúne 67 empresas de capital aberto da B3. O desempenho ESG é obtido da base Refinitiv® (0–100 pontos) e o risco de mercado é mensurado pelo coeficiente Beta (Vasconcelos et al., 2023). A qualidade da divulgação de risco é analisada pela legibilidade do Formulário de Referência (2017–2022), seção 4 – Fatores de risco, usando os índices Flesch, Fog e extensão (log de palavras) por meio do software ALT.
Análise e Discussão dos Resultados
A média ESG foi 54,13, sem empresas com nota máxima. O índice de Flesch médio (21,31) e Fog (18,08) indicam baixa legibilidade, com textos técnicos e extensos (média log palavras: 9,05). O Beta médio foi 1,04, com baixa dispersão. Empresas com comitê de risco (11,94% da amostra) apresentaram maior desempenho ESG e pilares ambiental e social, além de relatos mais extensos. Setores não regulados associaram-se a maior risco; alto ESG relacionou-se a menor Beta e maior clareza dos relatos de risco.
Considerações Finais
O estudo revelou, a partir da análise de legibilidade, uma maior complexidade textual nos relatos de risco das empresas pertencentes a setores regulados. O teste de diferença de médias revelou uma média superior de desempenho ESG e seus pilares em empresas que possuem o comitê de risco. A ACM demonstrou que, nas empresas brasileiras, um alto desempenho ESG está associado a um baixo coeficiente Beta. As limitações da pesquisa incluem foco em firmas brasileiras e uso apenas de métricas de legibilidade.
Referências
ALSAYEGH, M. F.; RAHMAN, R. A.; HOMAYOUN, S. Corporate economic, environmental, and social sustainability performance transformation through ESG disclosure. Sustainability, v. 12, n. 9, p. 3910, 2020. HOLTZ, L.; SANTOS, O. M. Legibilidade das notas explicativas das empresas brasileiras de capital aberto. Enfoque: Reflexão Contábil, v. 39, n. 1, p. 57-73, 2020. VASCONCELOS, A. C.; GUEDES, F. Y. A.; GUIMARÃES, D. B.; TAVARES, F. B. R. Desempenho ESG, risco e a (in)existência do comitê de risco nas empresas brasileiras.?Revista Mineira de Contabilidade, v. 24, n. 3, p. 63-78, 2023.