Resumo

Título do Artigo

Práticas ESG e Estrutura de Capital: Evidências das Empresas Listadas na B3
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Tema

Finanças Sustentáveis

Autores

Nome
1 - Fernando Travassos Barbosa
Universidade Federal de Campina Grande - UFCG - UAAC
2 - Kliver LAMARTHINE ALVES CONFESSOR
UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE - PPGA Responsável pela submissão
3 - Raquel Souza Ramos
Centro Universitário UniFavip - Caruaru

Reumo

Introdução
As práticas ESG (Environmental, Social and Governance) ganharam destaque nos mercados financeiros globais como determinantes da confiança e do acesso ao crédito corporativo. Além dos fatores tradicionais de risco e retorno, empresas sustentáveis tendem a obter maior credibilidade junto a investidores, reforçadas por exigências regulatórias e relatórios padronizados que elevam a transparência e consolidam a sustentabilidade como valor estratégico.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Problema de pesquisa: As práticas sustentáveis influenciam a captação de crédito de empresas brasileiras? Objetivo geral: Identificar se as empresas sustentáveis captam mais crédito de terceiros diante do ESG e suas dimensões
Fundamentação Teórica
A pesquisa fundamenta-se nas teorias clássicas de estrutura de capital, como Durand (1952), Modigliani & Miller (1958), (Myers & Majluf, 1984). Adicionalmente contextualiza Responsabilidade Social Corporativa (RSC) e práticas ESG como fatores estratégicos que influenciam decisões financeiras, pois ESG é tratado como métrica não financeira que impacta a percepção de risco, custo de capital e acesso ao crédito. A literatura recente aponta que empresas com alto desempenho ESG tendem a obter vantagens competitivas, maior transparência e confiança dos investidores.
Metodologia
O estudo é descritivo, documental e quantitativo, com dados secundários de empresas não financeiras listadas na B3 entre 2019 e 2024. A amostra final inclui 111 empresas com pontuação ESG, totalizando 558 observações. As variáveis dependentes são os níveis de endividamento (total, curto e longo prazo), e as independentes são os índices ESG geral e por dimensão (ambiental, social e governança). Foram aplicadas estatística descritiva, correlação e regressão linear simples via SPSS. Variáveis de controle como ROA, tangibilidade, liquidez e tamanho foram incluídas para robustez analítica.
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados indicam correlações positivas, porém fracas, entre ESG e endividamento, com destaque para dívidas de longo prazo. A regressão revelou relação negativa entre ESG geral e endividamento de longo prazo, sugerindo preferência por capital próprio em empresas sustentáveis. Por outro lado, as dimensões social e governança apresentaram associação positiva com dívidas de longo prazo, possivelmente refletindo investimentos pós-pandemia e exigências de transparência da B3. Empresas maiores tendem a investir mais em ESG, como evidenciado pela correlação positiva entre tamanho e pontuação ESG.
Considerações Finais
Os achados sugerem que, no Brasil, práticas ESG ainda não são amplamente recompensadas pelo mercado financeiro, o que leva empresas sustentáveis a evitarem dívidas de longo prazo. A relação negativa entre ESG geral e endividamento reforça a teoria da Pecking Order, indicando preferência por recursos internos. A associação positiva das dimensões social e governança com dívidas de longo prazo pode refletir pressões regulatórias e sociais recentes. O estudo contribui ao evidenciar que, embora o ESG influencie a estrutura de capital, seus efeitos variam conforme a dimensão analisada.
Referências
BAJAJ, Manika; KASHIRAMKA, Satish; SINGH, Renu. Impact of ESG performance on cost of capital: Evidence from emerging markets. Journal of Sustainable Finance & Investment, [S. l.], 2020. CAMILO, Gustavo; PAIN, Priscila; FÁVERO, Luiz Paulo; MARQUES, Vanessa Andrade. As práticas ESG importam? Uma análise da estrutura de capital em empresas latino-americanas. Uberlândia: Universidade Federal de Uberlândia, 2022. CEPILLO, Vanessa. Estrutura de capital e divulgação ambiental, social e de governança: Evidências do grupo BRICS. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria, 2023.