Resumo

Título do Artigo

NEM TUDO QUE RELUZ É OURO: externalidades negativas de uma mineradora listada na B3
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Tema

Comunicação, Indicadores e Modelos de Mensuração da Sustentabilidade

Autores

Nome
1 - DAVID STANHY DE CARVALHO SILVA
Universidade Estadual do Piauí - Centro de Ciências Sociais e Aplicadas Responsável pela submissão
2 - Daniele de Paula Moreira Monteiro
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - UFRJ - Faculdade de Administrações e Ciências Contábeis
3 - Vinícius Fasuolo Trancoso
Universidade Federal do Rio de Janeiro -
4 - JOSÉ RICARDO MAIA DE SIQUEIRA
Universidade Federal Fluminense (UFF) -

Reumo

Introdução
O avanço das sociedades trouxe elevados custos socioambientais, refletidos em desastres ambientais, exploração economicista dos recursos naturais e mudanças climáticas (Fernandes; Siqueira; Gomes, 2010; Vieira, 2021). Desde a década de 1960, conferências internacionais discutem soluções, reforçando a necessidade de abordagens multidisciplinares para mitigar tais impactos (Brito; Freire; Silva, 2022). Nesse cenário, a contabilidade assume papel relevante ao comunicar informações financeiras e não financeiras, avaliando os reflexos socioambientais das atividades empresariais.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Relatórios contábeis são a principal forma de comunicação com usuários das informações, é essencial que os relatórios de sustentabilidade sejam claros, relevantes e confiáveis. Assim, surge a questão central desta pesquisa: como as mineradoras de ouro no Brasil reportam os impactos socioambientais negativos de suas atividades e relações com os territórios afetados? Este estudo investiga se os impactos da mineração de ouro da Aura Minerals, listada na B3, estão evidenciados em seus relatórios, utilizando a técnica do shadow e silent report.
Fundamentação Teórica
O Brasil, com alto potencial mineral, enfrenta graves impactos sociais e ambientais decorrentes da mineração, como desmatamento, poluição e perda de biodiversidade. Os relatórios de sustentabilidade surgem como ferramenta de comunicação socioambiental, guiados pela GRI, mas criticados por omissões e vieses (Ferreira-Quilice; Caldana, 2015; Vieira et al., 2020). Para suprir essas lacunas, destacam-se os instrumentos shadow e silent report, que permitem identificar divergências entre a narrativa corporativa e a percepção dos stakeholders (Moreira et al., 2016; Santos et al., 2016).
Metodologia
Este estudo de caso, de natureza exploratória, descritiva e longitudinal, investiga os fenômenos shadow report e silent report com abordagem qualitativa. O objeto é a mineradora Aura Minerals, focada em ouro e cobre. A coleta de dados envolveu pesquisa documental e análise de conteúdo: reportagens eletrônicas (2021–2024) evidenciaram externalidades negativas para o shadow report, enquanto os RS da empresa serviram ao silent report. As notícias foram obtidas em veículos nacionais e no Google Notícias, utilizado para ampliar a cobertura e alcançar fontes regionais.
Análise e Discussão dos Resultados
Análise revelou divergências entre shadow report e relatórios da Aura Minerals sobre irregularidades em Almas (TO), ausência de consulta a comunidades quilombolas e omissão de impactos como desmatamento, poluição sonora e danos a povos indígenas, contrariando a Convenção 169 da OIT. Os RS mostraram linguagem genérica, seletividade informacional e inconsistência temporal, reforçando críticas sobre seu uso como marketing (Ferreira-Quilice; Caldana, 2015; Vieira et al., 2020). Assim, o confronto com o shadow report evidencia falhas de transparência e a necessidade de abordagens críticas.
Considerações Finais
O estudo evidenciou que os RS da Aura Minerals apresentam omissões e tratamentos superficiais de externalidades negativas, sobretudo em relação às comunidades quilombolas, poluição sonora e desmatamento, confirmando o uso seletivo do disclosure como instrumento de legitimação institucional. Recomenda-se que estudos futuros apliquem a mesma metodologia a outras mineradoras brasileiras, a fim de verificar se as divergências aqui constatadas configuram um fenômeno sistêmico no setor mineral brasileiro.
Referências
MOREIRA, F. N. et al. Sombras e Silêncio: Análise dos Relatórios Socioambientais do Setor Elétrico. Sociedade, Contabilidade e Gestão, Rio de Janeiro, v. 11, n. 1, p. 46–69, 2016. SANTOS, R. R. et al. A utilização do shadow e do silent reports como instrumentos de evidenciação das informações socioambientais: o caso da usina hidrelétrica de Belo Monte. Revista de Gestão Ambiental e Sustentabilidade, v. 5, n. 2, p. 1-18, 2016.