Introdução
Nas últimas duas décadas, observa-se crescente conscientização social em torno de aspectos ambientais, sociais e de governança. Pressões de consumidores e stakeholders têm levado empresas a adotar práticas mais responsáveis e sustentáveis, impactando a rentabilidade e a viabilidade financeira de longo prazo (Billio et al., 2021). Nesse contexto, a diversidade nos conselhos de administração surge como tema relevante nas discussões sobre ESG, com implicações diretas para a transparência e a responsabilidade corporativa (Beuren et al., 2014), afetando a governança e o desempenho das empresas.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O presente estudo tem como objetivo analisar as relações entre a diversidade no conselho de administração (em termos de gênero, raça, faixa etária e formação profissional), o disclosure de práticas ESG (ambientais, sociais e de governança) e o desempenho financeiro, das empresas listadas na Bolsa de Valores Brasileira, no ano de 2023. A partir desse objetivo, delineia-se o problema central da investigação: qual a relação entre diversidade no conselho de administração, o disclosure de práticas ESG e o desempenho financeiro, das empresas listadas na B3, em 2023?
Fundamentação Teórica
A diversidade amplia a capacidade do conselho de identificar e comunicar impactos socioambientais, favorecendo governança mais sólida e relações consistentes com investidores e consumidores (Menicucci & Paolucci, 2024). Nesse sentido, a transparência nas práticas ESG pode exercer uma função mediadora entre a diversidade no conselho e o desempenho financeiro, uma vez que a divulgação é percebida como um sinal de responsabilidade corporativa e gestão eficiente de riscos, elevando a confiança do mercado e potencialmente os retornos financeiros da empresa (Gupta et al.,2015; Bataeva et al., 2022).
Metodologia
A amostra final compreendeu 102 empresas, após a exclusão do setor financeiro, seguradoras e companhias sem dados de práticas ESG (ambientais, sociais e de governança). Os dados foram coletados na CVM (composição dos conselhos), Comdinheiro (indicadores financeiros) e LSEG Data & Analytics/Refinitiv (ESG). A análise foi conduzida no Warp PLS 7.0 por meio da Técnica Análise Robusta do Caminho, incluindo o porte da empresa como variável de controle.
Análise e Discussão dos Resultados
Os achados evidenciam que conselhos com maior diversidade apresentam níveis mais elevados de disclosure de informações ESG. Ademais, a diversidade apresentou efeito direto e significativo sobre o desempenho financeiro, reforçando a ideia de que conselhos heterogêneos favorecem melhores decisões estratégicas, inovação e gestão de riscos, resultando em ganhos econômicos. Não possível confirmar a relação entre disclosure de informações ESG e desempenho financeiro da empresa.
Considerações Finais
Conselhos de administração mais diversos contribuem para decisões estratégicas mais robustas, maior capacidade de inovação e melhor gestão de riscos, o que se traduz em desempenho econômico superior das companhias analisadas. Essa conclusão decorre da observação de que a heterogeneidade amplia perspectivas, reduz vieses decisórios e qualifica o debate no nível do conselho, fortalecendo a governança e a efetividade das escolhas corporativas. O artigo contribui para a literatura ao integrar análise conjunta entre diversidade nos conselhos, disclosure ESG e desempenho financeiro.
Referências
Billio, M., Costola, M., Hristova, I., Latino, C., & Pelizzon, L. (2021). Inside the ESG ratings: (Dis)agreement and performance. Corporate Social Responsibility and Environmental Management, 28 (5), 1426-1445. https://doi.org/10.1002/csr.2177
Menicucci, E., & Paolucci, G. (2024). Women on board and ESG performance: Insights from the Italian utilities sector. International Journal of Business and Management, 19(3), 73-90. https://doi.org/10.5539/ijbm.v19n3p73