Introdução
Nos últimos anos, o ESG ganhou destaque no meio corporativo, impulsionado por pressões de investidores, consumidores e reguladores. No Brasil, apesar do avanço, ainda persistem obstáculos como ausência de critérios padronizados, resistência de setores mais tradicionais e predomínio de iniciativas voltadas à imagem institucional. Nesse contexto, a governança corporativa assume relevância estratégica, pois, quando estruturada com conselhos independentes e comitês específicos, tende a promover maior transparência e a fortalecer a efetividade do ESG (Shibao et al. 2024; Martini; Schreiber, 2025).
Problema de Pesquisa e Objetivo
Apesar dos avanços teóricos e empíricos, ainda há lacunas importantes no entendimento sobre como, na prática, a estrutura de governança corporativa impacta a adoção efetiva das práticas ESG. Diante disso, emerge a seguinte questão de pesquisa: Qual é a influência da governança corporativa no nível de adoção de práticas ESG das companhias abertas listadas na B3? Nesse sentido, o objetivo geral da pesquisa é analisar a influência da governança corporativa no nível de adoção de práticas ESG das companhias abertas listadas na B3.
Fundamentação Teórica
A literatura revela lacunas quanto à influência da governança corporativa na adoção do ESG. Entre os achados de influência positiva, destacam-se conselhos independentes e comitês especializados, que ampliam a transparência (Shibao et al., 2024; Martini; Schreiber, 2025), além da diversidade de gênero, associada a maior divulgação social (Degenhart et al., 2024). Quanto à ausência de influência, não se confirmou que boas práticas de governança elevavam retornos financeiros (Machado; Checon, 2023) ou que a expertise do conselho fortalecia a divulgação ESG (Degenhart et al., 2024).
Metodologia
A pesquisa é descritiva, documental e quantitativa, com dados de companhias abertas do período de 2020 a 2024. O desempenho ESG foi mensurado pelo ESG Score da Refinitiv Eikon e as características de governança foram independência e tamanho do conselho, participação do CEO no conselho, existência de comitê de auditoria, expertise do comitê de auditoria e auditoria por big four. Variáveis de controle como tamanho, ROA, valor de mercado, número de analistas e alavancagem também foram incluídas. A análise dos dados foi realizada por meio de estatística descritiva e regressão linear múltipla.
Análise e Discussão dos Resultados
O ESG Score manteve média estável, mas com variações significativas entre empresas. Na governança, houve avanço gradual em conselhos mais independentes e redução da presença do CEO, enquanto os tamanhos dos conselhos seguiram estáveis. A participação de big four permaneceu entre 54% e 56%, mas cresceu o número de empresas com comitê de auditoria (qualificação entre 27% e 30%). Destacam-se como positivas a independência do conselho, existência e experiência dos comitês e auditoria por big four; já a concentração de poder e tamanhos inadequados dos conselhos impactaram negativamente no ESG.
Considerações Finais
A pesquisa revelou que características de governança mais robustas, como maior independência do conselho, comitês de auditoria qualificados e auditoria por big four, associam-se positivamente a melhores indicadores ESG. Em contraste, a concentração de poder do CEO e conselhos muito pequenos tiveram efeito negativo, destacando riscos da baixa pluralidade e supervisão. O estudo contribui ao evidenciar estatisticamente a ligação entre governança e sustentabilidade, oferecendo subsídios a gestores, investidores e formuladores de políticas.
Referências
MARTINI, Matheus; SCHREIBER, Dusan. ESG (Environmental, Social, and Governance) e desenvolvimento sustentável: governança corporativa e impactos sociais no Brasil. COLÓQUIO-Revista do Desenvolvimento Regional, v. 22, n. 1, jan./mar., p. 28-42, 2025.
SHIBAO, Fabio; SILVA, Flavia Cristina; CONCEIÇÃO, Márcio M.; GAYUBAS, Mauricio. Corporate Governance and ESG: Trends and Practices. Journal of Sustainable Competitive Intelligence, v. 14, p. e0465, 2024.