Introdução
Compreende-se que investigar sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODSs) e o desmatamento da Amazônia são considerados importantes temas não só dentro da Administração, como da Governança e da Sustentabilidade, pois estabelece relações entre Sociedade, Estado e Mercado para a implementação de políticas públicas por meio da formação e consolidação para dirimir os efeitos das mudanças climáticas. Há a necessidade de se investigar os efeitos do desmatamento para que se possa compreender como se consolidou o debate discursivo sobre o desmatamento e a influência dos ODSs.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Foi analisado transversalmente as influencias dos ODSs das políticas em relação ao combate ao desmatamento da Amazônia, para isso são analisados os discursos sobre desmatamento da Amazônia brasileira e da Agenda 2030 em três jornais de relevância, internacional, nacional e regional. Assim, este estudo tem como objetivo analisar os discursos sobre o desmatamento na Amazônia no período entre 2011 a 2020 por meio de argumentos publicados nos jornais locais, nacionais e internacionais, e que foram capazes de influenciar a governança de decisões políticas internacionais e nacionais.
Fundamentação Teórica
O desmatamento é o principal fator de destruição de recursos naturais no Brasil e ocorre geralmente para converter floresta nativa em pastagens e para explorar diversas atividades, o que vem acontecendo desde a década de 1960 no âmbito do governo militar, ou seja, o Estado contribuiu para o desmatamento da floresta amazônica (CARVALHO; CARVALHO; AIRES, 2020). Os ODS surgiram a partir de uma reunião dos países outorgada pela ONU, no ano de 2000, com o objetivo de diminuir a desigualdade e ampliar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos países (DIAS; FIGUEIREDO; FARIAS, 2021).
Metodologia
Como metodologia foi utilizada a Análise do Discurso Crítica (ADC), para Fairclough (2012), a ADC é uma teoria social do discurso que discorre sobre a língua e a semiose (diversos modo de linguagem) e possibilita o seu uso de modo transdisciplinar com outros métodos científicos e teorias sociais. A pesquisa dos discursos ocorreu em três jornais: um com perspectiva regional: O Amazônia Real, agência de jornalismo investigativo que publica sobre a Amazônia e suas populações; outro nacional, um dos mais lidos do país, a Folha de São Paulo e um de perspectiva internacional, o The New York Times.
Análise e Discussão dos Resultados
Em relação ao Amazônia Real, o jornal apresenta em suas publicações os compromissos assumidos pelo governo brasileiro em zerar o desmatamento até 2030. Nos discursos apresentados nas reportagens são dados os devidos espaços aos atores importantes dos ODM/ODS. Na Folha de São Paulo há críticas às políticas ambientais do Brasil por parte do editorial do jornal, por outros países e por organizações internacionais pelo fato de o País ter sido acusado de retroceder em relação as suas taxas de desmatamento. Em relação ao The New York Times, há críticas as lideranças políticas brasileiras.
Considerações Finais
Considera-se que as discussões no Amazônia Real mostram o não cumprimento do Acordo de Paris e da Agenda 2030 em um sinal constante de retrocesso, o que é acrescentado nas discussões da Folha de São Paulo referentes às posições do governo Bolsonaro em relação ao atendimento da Agenda 2030. Urge instituir a Lei nº 1.308/2021 que garante a promoção da Agenda 2030 no Brasil para que se possa ter maior influência política e de governança nas práticas de atendimento aos ODSs/ODMs e, dessa maneira, alcançar melhores resultados em relação ao atendimento das metas e objetivos da Agenda 2030.
Referências
CARVALHO, A. C.; CARVALHO, D. F.; AIRES, A. P. A. Forest Deforestation in the Brazilian Amazon States and its Impacts on Natural Resources: Construction of Statistical-Econometric Panel Model for 2000-2018. REUNIR: Revista de Administração, Contabilidade e Sustentabilidade, v. 10, n. 2, p. 34-45, 2020.
FAIRCLOUGH, N. Análise crítica do discurso como método em pesquisa social científica. Tradução Iran Ferreira de Melo. Linha d’Água, v. 25, n. 2, p. 307-329, 2012.