Introdução
O microcrédito é reconhecido como instrumento de inclusão financeira e estímulo ao desenvolvimento econômico, especialmente para microempreendedores historicamente excluídos do sistema bancário tradicional. Sua função é fomentar a geração de renda, apoiar pequenos negócios e promover inovação, mas ainda apresenta baixa utilização no Brasil, em razão de entraves como burocracia, juros elevados e falta de informação adequada aos empreendedores.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Apesar da relevância do microcrédito como política pública de inclusão financeira, sua adesão permanece limitada. Assim, o problema que orienta este estudo é: quais os fatores que influenciam a consecução de microcrédito por microempreendedores na Grande Florianópolis? O objetivo geral é identificar tais fatores, buscando compreender o perfil dos microempreendedores, barreiras enfrentadas e percepções sobre esse instrumento de financiamento.
Fundamentação Teórica
A literatura associa o microcrédito a uma forma diferenciada de financiamento, sem exigência de garantias reais, destinado a pequenos empreendimentos (Alves & Camargos, 2014). Estudos apontam seu impacto na redução da pobreza, geração de trabalho e inclusão social (Yunus & Jolis, 2003; Aquino, 2007). No Brasil, políticas como o PNMPO ampliaram o alcance, mas desafios persistem, como falta de divulgação e custos administrativos (Ericeira, 2020; Santos et al., 2008; Arraes & Silva, 2010).
Metodologia
A pesquisa é quantitativa e descritiva, aplicada a 235.423 MEIs ativos na Grande Florianópolis. Foi utilizado questionário estruturado com 13 questões, elaborado a partir de estudos anteriores. O instrumento foi enviado a 8.500 microempreendedores entre outubro/2024 e janeiro/2025, resultando em 102 respostas válidas. Os dados foram analisados por estatística descritiva (frequência, média e desvio-padrão), permitindo caracterizar o perfil dos respondentes e comparar resultados com a literatura.
Análise e Discussão dos Resultados
Os achados indicam baixa adesão: apenas 9,8% tiveram contato com microcrédito e 1% o utilizava. Entre os fatores facilitadores, destacam-se menor burocracia e agilidade; entre os limitadores, falta de informação e divulgação. O perfil majoritário foi feminino (59%), idade média de 33 anos e negócios recentes. A escolaridade elevada dos tomadores diverge da literatura. Quanto à finalidade do crédito, predominaram melhorias em instalações e aquisição de equipamentos.
Considerações Finais
O estudo conclui que o microcrédito é pouco utilizado na região, sobretudo pela falta de informação e pela percepção de desnecessidade. Ressalta-se a importância de políticas públicas para ampliar a divulgação, reduzir barreiras burocráticas e fortalecer a orientação financeira. A pesquisa contribui ao oferecer um panorama empírico regional e sugere futuros estudos sobre o papel de contadores e entidades de apoio empresarial como agentes de disseminação do microcrédito.
Referências
Alves, A., & Camargos, M. (2014).
Aquino, C. (2007).
Arraes, R., & Silva, C. (2010).
Ericeira, V. (2020).
Monzoni Neto, A. (2006).
Santos, E., et al. (2008).
Soares, M., & Melo Sobrinho, A. (2007).
Yunus, M., & Jolis, A. (2003).