Resumo

Título do Artigo

Mudanças Climáticas e Desastres Ambientais no Brasil: uma Revisão da Literatura
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Tema

Gestão Ambiental

Autores

Nome
1 - Joana Cecy Branco Michaello
Universidade Federal do Rio Grande - FURG - Administraçõa Responsável pela submissão
2 - Guilherme Lerch Lunardi
Universidade Federal do Rio Grande - FURG - Iceac

Reumo

Introdução
Os desastres ambientais associados às mudanças climáticas já podem ser percebidos globalmente, levando as comunidades afetadas a adaptarem-se na intenção de reduzir seus impactos (Adger et al. 2011). No Brasil, têm sido recorrentes os eventos de secas extremas e inundações, cujos efeitos variam conforme a intensidade e região. O aumento desses fenômenos decorre de estresses naturais e humanos, como poluição, degradação ecológica e manejo inadequado do solo (Szlafsztein; Sterr, 2007).
Problema de Pesquisa e Objetivo
Diante da temática de desastres ambientais, torna-se relevante a realização de estudos com a intenção de mapear seus principais impactos e tendências. A Revisão Sistemática da Literatura (RSL), mais especificamente, permite compreender a evolução da literatura científica, identificando temas relevantes, fronteiras de pesquisa e suas contribuições. Assim, tem-se como objetivo nesta pesquisa mapear o panorama das pesquisas sobre os principais desastres ambientais ocorridos no Brasil, destacando suas principais publicações, temas, lacunas e direções para futuras investigações.
Fundamentação Teórica
Eventos de desastres ambientais no Brasil estão ocorrendo com maior frequência, visto a interação antrópica com o meio ambiente. A adoção e aplicação de instrumentos de gestão adequados podem constituir uma alternativa eficaz para enfrentar os desafios e complexidades relacionados à problemática ambiental. O Adaptation Gap Report 2024, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), evidenciou a relação proporcional entre a intensificação climática e as condições de vulnerabilidade, ressaltando a urgência de maiores investimentos em ações de adaptação (Environment, 2024).
Metodologia
O estudo baseia-se em uma RSL, realizada para verificar e sintetizar as pesquisas sobre o tema pesquisado. Segundo Melo et al. (2023), a revisão sistemática garante replicabilidade ao seguir protocolos e organizar evidências. A busca de artigos ocorreu na base Scopus, em agosto de 2025, utilizando termos sobre desastres ambientais e impactos socioeconômicos, resultando na identificação de 248 artigos publicados em inglês, espanhol e português. A análise, realizada com R via Bibliometrix, mensurou as publicações e conexões entre os estudos encontrados.
Análise e Discussão dos Resultados
Foram analisadas 248 publicações sobre desastres ambientais no Brasil (entre 1986 e 2025). O tema apresenta taxa de crescimento de 9,2%, com aumento considerável das publicações a partir de 2018. A produção científica está concentrada nas Ciências Ambientais (26,8%) e Sociais (21,9%), com poucos trabalhos na área de Gestão. Os eixos centrais de pesquisa envolvem os termos “desastre natural”, “mudanças climáticas”, “gestão” e “vulnerabilidade”, enquanto os tópicos emergentes e tendências de estudo sugerem os “impactos socioeconômicos”, “saúde pública” e “gênero”.
Considerações Finais
O estudo analisou a produção científica sobre desastres ambientais no Brasil por meio de uma RSL. Os resultados indicaram que o tema pesquisado é emergente, embora crescente. Observou-se uma baixa representatividade da área de Administração em tais estudos, expondo a necessidade de mais pesquisas voltadas à gestão de planos de contingência e comunicação, visando melhorar a preparação e resposta da sociedade aos desastres ambientais ocorridos no Brasil. O estudo visa orientar futuras agendas de pesquisa e apoiar gestores na ampliação de estratégias de mitigação.
Referências
ADGER, W. N. et al. Resilience implications of policy responses to climate change. WIREs Climate Change, v. 2, n. 5, p. 757–766, 2011. ENVIRONMENT, U. N. Relatório de Lacuna de Adaptação 2024 | PNUMA - Programa da ONU para o Meio Ambiente.Disponível em: https://www.unep.org/resources/adaptation-gap-report-2024. Acesso em: 28 ago. 2025. MELO, B.; PESSOA, L.; BRANDAO, S. Um guia da teoria à prática. 2023. SZLAFSZTEIN, C.; STERR, H. A GIS-based vulnerability assessment of coastal natural hazards, state of Pará, Brazil. Journal of Coastal Conservation, v. 11, n. 1, p. 53–66, 2007.