Introdução
A articulação interdisciplinar amplia o alcance social e a densidade analítica de projetos universitários. Nesse quadro, o projeto “Parceria entre Universidade e Agricultores”, da UNEAL (Geografia e Ciências Contábeis, Campus I – Arapiraca; PIBITI), aplica tecnologias sociais à certificação orgânica e ao fortalecimento de mercados locais da agricultura familiar. Pergunta-se como essa interação sustenta projetos tecnológicos para a sustentabilidade. Objetiva-se analisar processos, aprendizados e resultados, destacando impactos sociais e acadêmicos e instrumentos replicáveis.
Contexto Investigado
Abordagem qualitativa, relato de experiência com inspiração em pesquisa-ação, organizada pelo protocolo de Mussi et al. (2021). Cenário: UNEAL – Campus I (Arapiraca) e feiras agroecológicas do Agreste, território de forte agricultura familiar e circuitos curtos. Participantes: estudantes, docentes, agricultores e representantes institucionais. Procedimentos: mapeamento/pactuação; observação participante; entrevistas e grupos focais; análise documental e prototipagem com devolutivas. Rigor: triangulação e trilha de auditoria. Ética: TCLE.
Diagnóstico da Situação-Problema
Na UNEAL, o projeto PIBITI/FAPEAL evidenciou a interdisciplinaridade como coordenação: Geografia (diagnóstico territorial) + Contábeis (documentação, conformidade, comercialização) geraram arranjo factível de certificação. No povoado Bananeiras, a confiança dos atores foi central; exigiu escuta, simplificação e devolutivas. Diante de barreiras OCS/SPG, a Feira Agroecológica tornou-se laboratório para checklists/fluxos; o Instagram ampliou letramento. Entregas: instrumentos replicáveis. Limites: tempo, participação assimétrica e capacidade institucional. Implica governança em fases.
Intervenção Proposta
Intervenção proposta: coimplantar, com feirantes e UNEAL, um ciclo integrado de certificação social (OCS/SPG) e fortalecimento da feira. Etapas: (1) formação breve (documentação, boas práticas, custos); (2) kit sociotécnico (fluxos simples, checklists, identidade visual); (3) piloto de 3 meses com visitas e devolutivas; (4) governança paritária (comitê, regimento, LGPD); (5) plataforma digital; (6) monitoramento por indicadores de fluxo, diversidade, conformidade e inclusão.
Resultados Obtidos
a interdisciplinaridade (Geografia+Contábeis) mostrou-se decisiva para certificação e organização comercial. Embora barreiras regulatórias tenham impedido o selo institucional, entregaram-se protótipos de fluxos/documentos OCS/SPG, materiais e identidade visual, plataforma digital e a Feira Cultural e Agroecológica da UNEAL como laboratório. Socialmente, qualificou rotinas e vínculos; academicamente, desenvolveu competências. As tecnologias sociais se estabilizaram com governança e comunicação.
Contribuição Tecnológica-Social
Contribuição tecnológica-social: co-desenvolvemos e testamos, na Feira da UNEAL, um kit sociotécnico de baixo custo para OCS/SPG e comercialização: fluxos documentais simples, checklists de conformidade/rastreabilidade, identidade visual e materiais, roteiros de oficinas/visitas e plataforma digital. Uso: formar, padronizar e auditar rotinas. Análise temática (abdução, codebook, auditoria por pares). Implementação em fases (pré-diagnóstico?formação?piloto?auditoria?reconhecimento) e governança com comitê paritário, regimento e LGPD.