Introdução
A teoria da aquilombagem investiga as origens dos quilombos brasileiros, ainda pouco explorada na administração. Essas comunidades são multifacetadas, com características diversas regionais. A presença feminina é significativa, e discutir o feminismo negro na aquilombagem amazônica amplia a visibilidade dessas populações. Essa abordagem permite propor ações que promovam lideranças femininas, alinhadas à Meta de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5), que busca igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O crescimento do agronegócio em Acará impulsionou comunidades tradicionais a protegerem seus direitos sobre a terra. Moradores às margens do rio Miritipitanga formaram, em 2009, uma organização quilombola certificada pela Fundação Cultural Palmares em 2013, como Comunidade Quilombola de Alto do Acará. Este trabalho investiga como o movimento de aquilombamento de mulheres negras na Amazônia fortalece o feminismo negro, analisando suas estratégias, desafios e impactos na construção de um feminismo negro mais sólido e representativo.
Fundamentação Teórica
sobre a formação de comunidades que reconhecem a diversidade e a herança africana, incentivando a inclusão e o fortalecimento da identidade negra no Brasil (Moura, 1981; 2001; 2021; Nascimento, 1980; Nascimento, 2018). incluímos produções recentes sobrea trajetória de escravização dos negros e o aparecimento dos quilombos na região da Amazônia Paraense e em particular no Município de Acará (Marim, 2000; Lima, 2002; Silva, 2020; Coutinho e Maciel, 2024). Além disso, levamos em conta as contribuições de Ribeiro (2018), Souto (2020) e Amoras, Costa e Araújo (2021).
Metodologia
abordagem qualitativa, envolvendo pesquisa teórica-empírica, histórica, pesquisa-ação participante (PAP), levantamento de fontes históricas e documentais, além de trabalho de campo. Após critérios de inclusão e exclusão, convidamos 38 mulheres, das quais 20 aceitaram participar da pesquisa. Para análise dos dados, utilizou-se a analise do conteúdo, um método de pesquisa qualitativa que integra e sintetiza achados de estudos existentes sobre um tema, permitindo uma compreensão mais ampla de fenômenos complexos.
Análise e Discussão dos Resultados
As participantes têm idade entre 28 e 78 anos, a maioria se considera negra, duas se consideram brancas e pelo menos uma se considera indígena, observa-se que a maioria é casada ou está em união estável, possuem filhos; mais da metade possuem netos; a maioria é escolarizada; e apenas 6 não são alfabetizadas. Todas as participantes executam atividades diversas. seguindo a divisão de Dividido em 3 seções para contextualizar a aquilombagem, o feminismo e a perspectiva feminina diante do processo de aquilombamento.
Considerações Finais
A resistência e fortalecimento das lideranças femininas nos quilombos ampliam seus espaços de atuação, promovendo igualdade, diversidade e bem-viver. Políticas de formação, diálogo e mentoria elevam a autoestima e confiança, inspirando outras mulheres e desafiando estereótipos. A quilombagem surge como estratégia de resistência e transformação, promovendo inclusão e reconhecimento, fortalecendo a organização política dos quilombos na Amazônia. Essa prática é uma poderosa ferramenta de empoderamento, promovendo mudanças sociais e culturais essenciais para enfrentar desigualdades.
Referências
MOURA, C. Rebeliões da senzala: quilombos, insurreições e guerrilhas. 3. ed. São Paulo: Ciências Humanas, 1981.
MOURA, C. A quilombagem como expressão de protesto radical. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4408011. Acesso em: 3 nov. 2023.
MOURA, C. O negro, de bom escravo a mau cidadão? 2. ed. Dandara Editora, 2021.
NASCIMENTO, A. O quilombismo: documentos de uma militância pan-africanista. Petrópolis, RJ: Vozes, 1980. MARIN, R. E. A. Camponeses, donos de engenhos e escravos na região do Acará nos séculos XVIII e XIX. [S.l.]: [s.n.], n. d. DOI: 10.18542/papersnaea.v9i