Introdução
A crescente preocupação com as mudanças climáticas tem mobilizado governos, organizações e pesquisadores na busca por alternativas de mitigação e práticas produtivas menos agressivas ao meio ambiente. Nesse contexto, o agronegócio assume papel central, pois é fonte relevante de emissões e setor com alto potencial de mitigação via tecnologias de baixo carbono e práticas de sequestro de carbono, como o carbon farming. Este estudo analisa a evolução da produção científica sobre mercado de crédito de carbono e agronegócio (2013–2023), identificando padrões, redes e áreas temáticas em Scopus e WoS.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O estudo busca examinar, de forma abrangente, a evolução da produção científica sobre a interface entre o mercado de crédito de carbono e o agronegócio, no período de 2013 a 2023, mapeando tendências, identificando padrões de publicação, redes de colaboração e áreas temáticas em artigos indexados nas bases Scopus e Web of Science, a fim de oferecer subsídios para o fortalecimento do conhecimento teórico e para orientar estratégias e políticas voltadas ao setor.
Fundamentação Teórica
O mercado de carbono, estruturado por acordos como Kyoto (1997) e Paris (2015), tornou-se mecanismo econômico central no combate às mudanças climáticas, atribuindo valor às emissões e incentivando projetos sustentáveis. O agronegócio ocupa papel dual, sendo emissor de GEE e potencial mitigador por meio de práticas de baixo carbono, como plantio direto, sistemas agroflorestais e biocarvão. Apesar dos avanços, persistem desafios de governança, uniformidade normativa e engajamento de produtores, sobretudo em países tropicais.
Metodologia
Esta pesquisa, de natureza quantitativa, exploratória e descritiva, adota o método bibliométrico para mapear a produção científica sobre a interface entre mercado de crédito de carbono e agronegócio. Os dados foram coletados na base Scopus (2010–2024), com estratégia de busca estruturada em descritores e operadores booleanos. Foram incluídos apenas artigos revisados por pares e de acesso aberto. A análise considerou volume anual, periódicos, autores, instituições, países e fomento, seguindo referenciais de Van Eck e Waltman (2010) e Haddaway et al. (2016).
Análise e Discussão dos Resultados
Entre 2010 e 2016 a produção científica foi incipiente, mas cresce a partir de 2017 e acelera em 2023–2024, concentrando 54% dos artigos. A autoria é dispersa, indicando rede em consolidação. Predominam áreas ambientais e agrárias, seguidas por sociais e energéticas, enquanto campos aplicados seguem pouco explorados. Universidades públicas lideram, mas cresce a presença de instituições privadas e do terceiro setor. EUA, Reino Unido e Alemanha lideram; Brasil e Índia emergem. O inglês domina (97,5%), reforçando internacionalização e barreiras locais.
Considerações Finais
O estudo indica que a pesquisa sobre mercado de carbono e agronegócio concentra-se em países de alta renda, com predominância do inglês e financiamento de grandes blocos econômicos, direcionando a agenda científica a modelos específicos, distintos dos contextos tropicais. A ênfase em Ciências Ambientais e Agrárias revela foco relevante, porém restrito. Limitações incluem base de dados, período e idioma das publicações, sugerindo cautela na generalização, mas evidenciam tendências e lacunas para futuras pesquisas.
Referências
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