Introdução
O crescimento urbano acelerado e os desafios relacionados à sustentabilidade impulsionaram o surgimento das cidades inteligentes como modelo de desenvolvimento urbano. Essas cidades buscam integrar tecnologia, inovação e governança para oferecer melhor qualidade de vida. Nesse contexto, analisar os mecanismos que sustentam esse desenvolvimento é fundamental para compreender como as cidades podem se adaptar e prosperar em ambientes dinâmicos (GUENDUEZ; MERGEL, 2022).
Problema de Pesquisa e Objetivo
Apesar da relevância crescente das cidades inteligentes, pouco se sabe sobre como suas capacidades dinâmicas se relacionam com as dimensões de inteligência urbana. O presente estudo busca preencher essa lacuna ao investigar a seguinte questão: De que forma as capacidades dinâmicas de cidades inteligentes se relacionam com as dimensões de cidades inteligentes? O objetivo é analisar essa relação, com base no estudo de caso de Florianópolis, considerada a cidade mais inteligente do Brasil.
Fundamentação Teórica
A literatura sobre cidades inteligentes evidencia modelos de avaliação baseados em dimensões como economia, governança, mobilidade, meio ambiente, pessoas e vida (Giffinger et al., 2007). Por outro lado, a teoria das capacidades dinâmicas (Teece, 2007; Chong et al., 2018) propõe que organizações e, por extensão, cidades, precisam detectar, aproveitar, alinhar e transformar recursos para enfrentar ambientes em mudança. A articulação entre esses construtos é incipiente, configurando a principal contribuição teórica deste estudo.
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, conduzida por meio de estudo de caso único na cidade de Florianópolis (SC). A amostra foi composta por 12 entrevistados, representantes da quadrupla hélice (governo, universidades, empresas e sociedade civil), selecionados por amostragem intencional e bola de neve. Os dados foram coletados em entrevistas semiestruturadas e documentos institucionais e analisados via análise de conteúdo dedutiva, com categorias baseadas nas dimensões de Giffinger et al. (2007) e nas capacidades dinâmicas de Chong et al. (2018).
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados mostram que as capacidades dinâmicas influenciam diretamente o desenvolvimento das dimensões de cidades inteligentes. O sense é viabilizado por instrumentos institucionais e ecossistemas de inovação. O seize se manifesta em parcerias e adaptação de boas práticas externas. O align ocorre por meio de conselhos e mecanismos de governança colaborativa. Por fim, o transform é evidenciado pela adoção de tecnologias, inovação participativa e intercâmbios internacionais, consolidando mudanças estruturais que ampliam o desempenho urbano.
Considerações Finais
O estudo confirma que as capacidades dinâmicas são determinantes para o desenvolvimento das dimensões de cidades inteligentes, preenchendo uma lacuna teórica ainda pouco explorada. A principal contribuição reside em evidenciar empiricamente essa relação, com destaque para a operacionalização das capacidades align e transform. Como limitações, aponta-se o uso de um único caso, recomendando-se pesquisas futuras comparativas. Os achados oferecem implicações teóricas e práticas para gestores públicos e atores envolvidos na transformação urbana
Referências
CHONG, M. et al. Dynamic capabilities of a smart city: an innovative approach to discovering urban problems and solutions. Government Information Quarterly, v. 35, n. 4, p. 682-692, 2018.
GIFFINGER, R. et al. Smart cities: ranking of european medium-sized cities. Vienna: Vienna University of Technology, 2007.
TEECE, D. J. Explicating dynamic capabilities: the nature and microfoundations of (sustainable) enterprise performance. Strategic Management Journal, v. 28, n. 13, p. 1319-1350, 2007.