Introdução
As finanças sustentáveis buscam alinhar lucro e impacto socioambiental, mas enfrentam tensões entre crescimento econômico ilimitado e limites planetários. A economia verde surgiu como estratégia política, mas fracassou por falta de mudanças estruturais, mantendo a hegemonia da “economia marrom”. Green bonds exemplificam a financeirização de ativos ambientais, podendo reproduzir desigualdades. O ensaio investiga se essas finanças representam transição real ou apenas legitimação da lógica neoliberal.
Fundamentação e Discussão
A busca ilimitada por ganhos individuais leva à degradação coletiva, pois a expansão contínua de consumo e investimentos ignora os limites ecológicos. A economia dominante, baseada em mercados eficientes e crescimento contínuo, reforça a crença de que o mercado pode resolver todos os problemas, mesmo diante de evidências contrárias. O neoliberalismo moldou a sustentabilidade de forma conciliatória, promovendo soluções de mercado e financeirização, sem enfrentar causas estruturais. As finanças sustentáveis avançam de forma incremental, adicionando elementos verdes sem romper com a lógica de luc
Conclusão
O ensaio conclui que as finanças sustentáveis incorporam preocupações socioambientais ao sistema financeiro, mas ainda operam sob a lógica do crescimento contínuo e da rentabilidade. Embora existam avanços e maior mobilização em torno da agenda ESG, predominam soluções incrementais e simbólicas que preservam o modelo econômico vigente. Assim, a sustentabilidade pode se tornar um ativo reputacional e as finanças sustentáveis, em vez de promoverem transformação estrutural, acabam legitimando a continuidade do paradigma hegemônico.
Referências
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