Introdução
A Economia Popular e Solidária (EPS) oferece uma alternativa ao capitalismo, e os Empreendimentos Econômicos Solidários (EES) da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) enfrentam desafios de gestão e letramento digital. Nesse contexto, o projeto de extensão EcoSol apoia esses empreendimentos usando a tecnologia social ISOMONA. O presente estudo questiona como essa aplicação, mediada por um projeto de Extensão Universitária, influencia a maturidade gerencial e a sustentabilidade dos EES, com base em levantamentos de 2023-2025.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Os Empreendimentos Econômicos Solidários (EES) enfrentam desafios gerenciais, como gestão financeira, comercialização e acesso a crédito. Esses problemas são acentuados em empreendedores por necessidade, com lacunas em letramento digital e conhecimento técnico. Diante disso, o estudo questiona como a aplicação de uma tecnologia social, via projeto de Extensão Universitária, influencia a maturidade gerencial e a sustentabilidade dos EES. Os objetivos são caracterizar o perfil dos empreendedores, analisar a evolução das práticas gerenciais com a metodologia ISOMONA e avaliar o papel da IES.
Fundamentação Teórica
A Economia Popular e Solidária (EPS) se baseia na cooperação e autogestão (Laville & Gaiger, 2004; Singer, 2002), com sustentabilidade ligada à coesão do grupo e atuação em rede (Moulaert et al., 2005). Empreendimentos liderados por mulheres acima de 50 anos atuam por necessidade, enfrentando lacunas em letramento digital. Para superar isso, o uso de Tecnologias Sociais, como a metodologia ISOMONA, é crucial para a gestão. A Extensão Universitária atua como elo vital, onde alunos e empreendedores co-criam soluções, fortalecendo a gestão e a inovação social (Cai et al., 2020).
Metodologia
O estudo, uma pesquisa-ação de abordagem mista, combina técnicas quantitativas e qualitativas. O componente quantitativo é um survey longitudinal de dois ciclos (2023/2024 e 2024/2025) com 117 e 168 EES, utilizando questionários baseados em ISOMONA e Balanced Scorecard. A análise quantitativa inclui estatística descritiva e testes como Wilcoxon-Mann-Whitney e Qui-quadrado. Paralelamente, dados qualitativos são obtidos por meio de reuniões e seminários, e a análise de conteúdo é empregada. Essa integração garante uma compreensão profunda da gestão dos empreendimentos.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise dos dados da metodologia ISOMONA revela que os empreendimentos solidários da RMBH são heterogêneos, com empreendedores por necessidade, acima de 50 anos e com lacunas em letramento digital. Apesar da forte integração comunitária, há fragilidades em gestão financeira e processos internos. A educação empreendedora e o Projeto EcoSol são centrais, promovendo um ciclo virtuoso. O engajamento dos estudantes aumenta a maturidade gerencial e a sustentabilidade dos EES, reforçando o papel da universidade na inovação social.
Considerações Finais
As considerações finais confirmam o papel central da Extensão Universitária como catalisadora de inovação social. O Projeto EcoSol, usando a metodologia ISOMONA, resultou em melhorias mensuráveis na maturidade gerencial dos empreendimentos, especialmente em letramento digital e processos internos. O engajamento dos empreendedores validou a eficácia da abordagem, que articulou dados quantitativos e qualitativos. A experiência serve como modelo replicável, mostrando que a integração entre ensino, pesquisa e extensão fortalece a Economia Popular e Solidária.
Referências
AGOSTINI, M. R. et al. Uma Visão Geral Sobre a Pesquisa em Inovação Social. BBR, 2017. CAI, Y.; MIRI, D.; MACKE, J. Universities as drivers of sustainable development. Journal of Cleaner Production, 2020. DAGNINO, R. Tecnologia Social: ferramenta para construir outra sociedade. EDUEPB, 2014. DOLABELA, F. Oficina do empreendedor. Cultura, 2008. IPEA. Mapeamento nacional de empreendimentos econômicos solidários. IPEA, 2023. KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. The Balanced Scorecard. Harvard Business Review, 1992. SINGER, P. Introdução à economia solidária. Fundação Perseu Abramo, 2002.