Introdução
A interface terra-mar (ISL) é espaço estratégico de interações físicas, ecológicas e sociais, marcada por pressões ambientais e desigualdades socioeconômicas. Reconhecendo sua relevância, a ONU declarou 2021–2030 como a Década do Oceano (ONU, 2020; UNESCO, 2021). Este estudo contribui aos debates do ENGEMA ao explorar estratégias de ensino-aprendizagem que articulam ciência, sociedade e sustentabilidade, fortalecendo a formação crítica e integrando práticas pedagógicas inovadoras à gestão socioambiental.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A educação para a sustentabilidade na interface terra-mar carece de referenciais pedagógicos consolidados, dificultando a integração entre teoria e prática em contextos socioambientais complexos. O problema de pesquisa situa-se nessa lacuna, exigindo abordagens inovadoras para enfrentar crises ambientais e sociais. O objetivo é explorar, sistematizar e discutir métodos de ensino, aprendizagem e avaliação aplicados à sustentabilidade, analisando sua eficácia, adequação institucional e diálogo com a Matética (EISENHARDT, 1989; SAUNDERS et al., 2019).
Fundamentação Teórica
O estado da arte revela diversidade de metodologias ativas que privilegiam o protagonismo discente, como sala de aula invertida, aprendizagem baseada em problemas, gamificação e crossover learning, que integram espaços formais e informais (BRYHN; BELGRANO, 2023). Biggs e Tang (2011) destacam o alinhamento construtivo como princípio de coerência entre objetivos, métodos e avaliação. A esses aportes soma-se a Matética (PAPERT, 1994), que fundamenta o aprender pela experiência e autonomia, fornecendo base para práticas pedagógicas críticas e transformadoras.
Metodologia
A pesquisa caracteriza-se como revisão narrativa, com levantamento em Google Scholar e Web of Science, complementado por literatura cinzenta e relatórios institucionais. O recorte incluiu trabalhos entre 2000 e 2023, selecionados pela relevância em sustentabilidade costeira, inovação pedagógica e metodologias ativas. Foram analisados critérios de centralidade no estudante, interdisciplinaridade, adequação institucional e
potencial de integração pedagógica. A Matética (PAPERT, 1994) foi adotada como lente analítica para interpretar a autonomia e a aprendizagem pela experiência.
Análise e Discussão dos Resultados
A revisão mostrou eficácia de metodologias como aprendizagem baseada em problemas, gamificação e crossover learning em promover engajamento, criticidade e retenção (BRYHN; BELGRANO, 2023). Evidenciou-se que não há modelo universal, sendo necessário combinar estratégias de acordo com contextos institucionais e socioambientais. Limitações incluem barreiras culturais, institucionais e desigualdade de acesso digital. A Matética (PAPERT, 1994) reforça os resultados ao sustentar a autonomia e o aprender fazendo, ampliando a relevância crítica das práticas pedagógicas.
Considerações Finais
A sustentabilidade na interface terra-mar demanda abordagens híbridas, ativas e interdisciplinares que aproximem teoria e prática, fortalecendo competências críticas e inovadoras. A diversidade metodológica favorece o protagonismo discente e contribui para enfrentar desafios socioambientais complexos (BRYHN; BELGRANO, 2023). A Matética (PAPERT, 1994) amplia esse movimento ao valorizar autonomia e experimentação. O estudo oferece contribuições teóricas e práticas, inspirando docentes e instituições na construção de programas e políticas de inovação pedagógica em sustentabilidade.
Referências
BRYHN, A.C.; BELGRANO, A. Teaching, learning and assessment... Sustainability, v.15, 2023. EISENHARDT, K.M. Building theories from case study research. Acad. Manag. Rev., v.14, 1989. ONU. United Nations Decade of Ocean Science for Sustainable Development. Paris: UNESCO, 2020. PAPERT, S. A máquina das crianças. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. SAUNDERS, M.; LEWIS, P.; THORNHILL, A. Research methods for business students. Pearson, 2019. UNESCO. Education for Sustainable Development: A Roadmap. Paris: UNESCO, 2021.