Introdução
A formação médica tradicional frequentemente negligencia a preparação financeiro-econômica dos futuros médicos. Muitos enfrentam desafios na gestão de suas finanças pessoais e profissionais devido a altos custos educacionais e dívidas. A alfabetização financeira, essencial para decisões informadas, é crucial na medicina. Este estudo objetiva avaliar o nível de alfabetização financeira de estudantes de medicina em uma instituição particular, visando identificar lacunas e propor soluções educacionais que impactem positivamente suas carreiras.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A falta de preparo em educação financeira de um médico recém-formado gera impactos diretos nas decisões que esses profissionais tomam. É necessário saber qual o nível de alfabetização financeira dos estudantes de medicina de forma a compreender se há alguma abordagem que comtemple a formação econômico-financeira. O objetivo geral é avaliar o nível de alfabetização financeira desses estudantes em uma instituição particular, caracterizando perfil sociodemográfico e econômico, analisando conhecimentos, comportamentos e controle financeiro, associando a variáveis socioeconômicas e demográficas.
Fundamentação Teórica
A alfabetização financeira, que envolve conhecimento, comportamento e atitude, é essencial para decisões assertivas e estabilidade econômica. Estudos mostram que a formação médica tradicional carece dessa abordagem, resultando em lacunas significativas. Variáveis sociodemográficas, como gênero e idade, influenciam o nível de conhecimento, com mulheres e jovens frequentemente apresentando menor alfabetização. A literatura aponta a inclusão da educação financeira nos currículos médicos como estratégia crucial para mitigar desafios específicos da carreira médica.
Metodologia
Este estudo aplicado, de abordagem quantitativa, avaliou a alfabetização financeira de estudantes de medicina por meio de um survey. Aplicou-se o questionário DENARIUS, com 34 questões de múltipla escolha e escala Likert, a 242 estudantes de uma instituição particular. A amostra foi não probabilística por conveniência. O Nível de Alfabetização Financeira (NAF) foi definido por 6 questões, sendo alfabetizado quem alcançou ?4 pontos. Utilizaram-se análises estatísticas descritivas, testes não paramétricos e regressões linear, ordinal e multinomial.
Análise e Discussão dos Resultados
O NAF médio foi de 2,65 (escala 0-6), com apenas 36% dos estudantes classificados como alfabetizados. Observou-se diferença significativa por gênero: homens apresentaram NAF superior às mulheres. A exposição prévia a disciplinas de economia/finanças foi associada a maior NAF. Surpreendentemente, idade, escolaridade dos pais e renda familiar não mostraram associação significativa, possivelmente devido à homogeneidade da amostra. Análises multinomiais adicionais revelaram um efeito significativo de cor/raça/etnia, não explorado previamente.
Considerações Finais
Os resultados apontam baixo nível de alfabetização financeira entre estudantes de medicina, revelando lacuna na formação. A disparidade de gênero e o impacto positivo da educação formal em finanças reforçam a necessidade de intervenções. Propõe-se disciplina optativa de Educação Financeira para estudantes de medicina, abordando gestão de dívidas, investimentos, aspectos tributários, empreendedorismo e planejamento de carreira, para capacitar futuros médicos a decisões conscientes, promovendo bem-estar e melhorando a qualidade no atendimento à saúde na sociedade.
Referências
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