Introdução
A insegurança alimentar é um dos maiores desafios contemporâneos, afetando milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Nesse cenário, surgem os Negócios de Impacto Social (NIS), que buscam conciliar práticas de mercado com objetivos sociais. A Amitis, fundada em 2020 em Alagoas, constitui-se como uma empresa de tecnologia social voltada ao combate à fome, por meio da implementação de hortas hidropônicas em comunidades vulneráveis, promovendo segurança alimentar e geração de renda.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O estudo tem como objetivo analisar de que forma o modelo de negócio da Amitis garante sua sustentabilidade financeira, ao mesmo tempo em que amplia o impacto social. Pretende-se compreender as motivações de sua criação, os desafios enfrentados e as estratégias utilizadas para consolidar e escalar suas atividades como negócio de impacto social.
Fundamentação Teórica
A discussão articula três conceitos principais: (i) Negócios de Impacto Social, que integram propósito social e práticas empresariais (Yunus et al., 2010; Comini et al., 2012); (ii) Tecnologia Social, entendida como soluções participativas, de baixo custo e apropriadas pela comunidade (ITS, 2004); e (iii) Investimento de Impacto, que busca unir rentabilidade financeira e transformação social, apoiado em critérios de ESG (Irigaray; Stocker, 2022). Essa integração fundamenta o modelo adotado pela Amitis.
Metodologia
A pesquisa é qualitativa, de caráter descritivo, utilizando o estudo de caso como estratégia. Foram realizadas duas entrevistas semiestruturadas com a fundadora e diretora executiva da Amitis, em 2023 e 2024, totalizando 103 minutos. A análise dos dados seguiu o método da análise temática, de abordagem dedutiva, organizada em seis etapas, o que possibilitou a identificação das categorias: (1) Amitis como empreendimento social e (2) estratégias para o crescimento sustentável.
Análise e Discussão dos Resultados
A Amitis consolidou-se como negócio de impacto social ao alinhar tecnologia social com práticas de mercado. A mudança do modelo B2C para o B2B foi decisiva, permitindo à empresa oferecer um “produto social”: indicadores mensuráveis de impacto que atraem parcerias e investidores alinhados ao ESG. Programas de aceleração e premiações possibilitaram maior profissionalização e visibilidade. O estudo evidencia que a monetização de indicadores fortalece a sustentabilidade financeira sem comprometer o propósito social.
Considerações Finais
A análise demonstra que é possível conciliar sustentabilidade financeira e impacto social. O modelo da Amitis mostra que negócios sociais podem se tornar economicamente viáveis ao estruturar práticas inovadoras e replicáveis, como o uso de hortas hidropônicas e a oferta de indicadores de impacto. O estudo contribui ao indicar o potencial do modelo B2B como alternativa para superar a dependência de doações e subsídios, reforçando a importância da integração entre tecnologia social, investimento de impacto e práticas ESG.
Referências
Comini, G.; Barki, E.; Aguiar, L. T. de. A three-pronged approach to social business: A Brazilian multi-case analysis. Revista de Administração (São Paulo), v. 47, p. 385-397, 2012.
Irigaray, H. A. R.; Stocker, F. ESG: novo conceito para velhos problemas. Cadernos EBAPE.BR, v. 20, n. 4, p. 1-4, 2022.
ITS. Tecnologia social no Brasil: direito à ciência e ciência para cidadania. Caderno de Debate, 2004.
Yunus, M.; Moingeon, B.; Lehmann-Ortega, L. Building social business models: lessons from the Grameen experience. Long Range Planning, v. 43, n. 2-3, p. 308-325, 2010.