Introdução
As compras públicas sustentáveis (CPS) têm ganhado relevância como instrumento estratégico para promover o desenvolvimento sustentável. No Brasil, o volume expressivo das contratações públicas confere ao Estado capacidade indutora sobre práticas socioambientais. A implementação das CPS, contudo, ocorre em um cenário de coexistência entre paradigmas administrativos, revelando tensões entre eficiência gerencial e produção de valor público.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A implementação das CPS no Brasil ocorre em meio à coexistência de modelos gerencial e pós-gerencial, revelando tensões entre eficiência administrativa e responsabilidade socioambiental. Este estudo analisa como esses paradigmas influenciam as CPS, apresentando um quadro analítico que avalia o grau de consolidação das diretrizes operacionais e contribui para seu aprimoramento como política pública.
Fundamentação Teórica
As CPS articulam-se com os paradigmas gerencial e pós-gerencial da gestão pública. O gerencialismo prioriza eficiência e controle, enquanto o pós-gerencialismo valoriza participação, transparência e produção de valor público. A literatura aponta que a efetividade das CPS exige superar a lógica instrumental, incorporando critérios ético-normativos e práticas colaborativas, em uma gestão orientada à sustentabilidade e à transformação institucional.
Metodologia
A pesquisa é qualitativa e documental, com análise de fontes institucionais produzidas entre 2014 e 2025, abrangendo gestão institucional, consultoria jurídica e controle interno, externo e social. A análise foi estruturada em cinco dimensões da gestão pública: estrutura organizacional, gestão por resultados, profissionalização, tecnologia e inovação na gestão, e responsabilidade e participação. Cada dimensão foi desdobrada em diretrizes operacionais específicas, extraídas da literatura sobre os paradigmas gerencial e pós-gerencial.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise documental evidenciou que, embora as CPS apresentem avanços normativos e operacionais, sua institucionalização é desigual. Diretrizes como eficiência e tecnologia estão consolidadas, enquanto metas, indicadores e avaliação permanecem fragilizadas. O quadro analítico revela que a consolidação das CPS exige articulação entre racionalidades gerencial e pós-gerencial, superando lacunas estruturais e promovendo governança colaborativa.
Considerações Finais
As CPS representam uma política pública complexa que exige mais do que normatização: demandam articulação entre racionalidades gerencial e pós-gerencial, governança colaborativa e cultura institucional voltada à sustentabilidade. A análise revelou diretrizes consolidadas em tecnologia e eficiência, mas fragilidades em avaliação e participação. O estudo contribui ao evidenciar caminhos para aprimorar a efetividade e o valor público das CPS.
Referências
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