Introdução
A crescente frequência de eventos climáticos extremos, como enchentes e ondas de calor, tem impactado o agronegócio e a renda da população rural do Rio Grande do Sul (BANCO MUNDIAL et al., 2024; VINÍCIO et al., 2023). A literatura aponta desigualdades salariais e efeitos econômicos de desastres naturais (MACHADO, 2019; CALEFFI et al., 2024), porém há lacunas na análise integrada do hiato salarial e sua relação com variáveis socioeconômicas e ambientais em escala trimestral. Este estudo analisa tais oscilações entre 2022 e 2025, focando no agronegócio para fomentar resiliência econômica rural.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A persistente desigualdade salarial no meio rural do Rio Grande do Sul, agravada por eventos climáticos extremos, evidencia uma lacuna no entendimento da dinâmica do hiato salarial e seus condicionantes socioeconômicos. Este estudo busca analisar a oscilação trimestral do hiato salarial entre 2022 e 2025, investigando como escolaridade, idade, sexo, raça, posição ocupacional e atividades econômicas influenciam a resiliência econômica rural frente aos choques climáticos (Machado, 2019; Banco Mundial et al., 2024; Vinício et al., 2023).
Fundamentação Teórica
O hiato salarial expressa a volatilidade da renda frente a choques externos, agravada pela informalidade e sazonalidade no meio rural (Machado, 2019; Costa & Pessoa, 2024). Escolaridade e idade atuam como fatores estabilizadores, enquanto eventos climáticos intensificam perdas e pobreza (IPEA, 2024; Moura & Barbosa Filho, 2022; Vinício et al., 2023). Enchentes impactam culturas vulneráveis, como soja e bovinos, ao passo que o arroz apresenta maior resiliência (Banco Mundial et al., 2024; Caleffi et al., 2024). A formalização contribui para a mitigação da instabilidade (Souza & Neri, 2020).
Metodologia
Utilizamos dados da PNAD Contínua, com 29.838 observações trimestrais da população rural do Rio Grande do Sul, de 2022-1 a 2025-1 (IBGE, 2025). A variável dependente é o hiato salarial médio trimestral. As variáveis explicativas são escolaridade, idade, sexo, raça, posição ocupacional e CNAEs selecionados (arroz, soja, bovinos). Aplicamos análises descritivas, gráficos de calor e regressões lineares múltiplas, controlando por CBO e CNAE, fundamentando-nos em econometria aplicada ao mercado de trabalho brasileiro (Wooldridge, 2023).
Análise e Discussão dos Resultados
A maioria dos trimestres apresentou hiatos salariais negativos, destacando perdas de renda na população rural, especialmente nos trimestres afetados pelas enchentes de 2023-4 e 2024-2 (Banco Mundial et al., 2024; REDESCA, 2025). Escolaridade e idade conferem maior estabilidade econômica, enquanto sexo e raça não influenciaram significativamente (Machado, 2019; IPEA, 2024). Formalização reduziu a volatilidade, e o arroz mostrou maior resiliência frente à soja e bovinos vulneráveis (Trentin, 2023; Caleffi et al., 2024).
Considerações Finais
Os resultados revelam vulnerabilidade estrutural da população rural gaúcha, agravada pelos eventos climáticos recentes. Escolaridade, idade e formalização do trabalho são essenciais para resiliência e estabilidade da renda. A variabilidade setorial destaca a necessidade de políticas climáticas direcionadas às culturas e criações mais vulneráveis, como soja e pecuária bovina. Recomenda-se investimento em educação rural, ampliação da formalização e estratégias de adaptação climática para promover sustentabilidade e desenvolvimento socioeconômico no meio rural do Rio Grande do Sul.
Referências
https://x.gd/lZKkt;https://x.gd/m5MSg;https://x.gd/WM7Yd;https://x.gd/3rq1f;https://x.gd/87AZf;(Machado, 2019)Análise da dinâmica salarial e hiato de rendimento no Brasil;(Moura & Barbosa, 2022)Mercado de trabalho, informalidade e pandemia: efeitos sobre a renda e a produtividade;(Souza & Neri, 2020)Políticas públicas e o mercado de trabalho: avanços e desafios;(Trentin, 2023). A crise da agropecuária e as mudanças climáticas no Rio Grande do Sul – Brasil;https://x.gd/cYSWX(Wooldridge, 2023)Introdução à econometria: uma abordagem moderna;https://x.gd/Bi26r