Introdução
Para o agronegócio, setor que depende diretamente dos insumos do meio ambiente, a sustentabilidade torna-se indispensável para proteger sua fonte de matéria-prima. Além do aspecto ambiental, a questão social, incluindo a qualidade e as relações de trabalho, tem sido cada vez mais implementada no setor agrário. O alinhamento das organizações a diretrizes de sustentabilidade e a condições ideais de trabalho gera vantagens competitivas, dada a crescente relevância socioambiental no mundo dos negócios, pois ao adotarem padrões sustentáveis, as organizações podem construir uma imagem positiva.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Diante da crescente necessidade de divulgação das práticas sustentáveis, este estudo tem como objetivo analisar a divulgação das empresas do agronegócio brasileiro quanto às emissões de gases e às mudanças climáticas, de acordo com os indicadores da norma setorial GRI 13.A escolha desses temas se justifica pela relevância no setor agrário, que contribui para a poluição e, ao mesmo tempo, é fortemente impactado pelas alterações climáticas. Para isso, realizou-se uma análise de conteúdo dos relatórios de sustentabilidade de 2023 de 16 empresas do Índice Agronegócio B3 (IAGRO B3).
Fundamentação Teórica
A literatura destaca a necessidade de o agronegócio adaptar sua gestão para ser mais sustentável, equilibrando produção e desgaste ambiental (Agripino et al., 2021). Há estudos que apontam o uso de métodos ilegais por algumas produtoras de commodities, ressaltando a necessidade de maior fiscalização (Rajão et al., 2020). Em contrapartida, outras pesquisas mostram que as companhias do setor buscam produzir com o mínimo impacto, investindo em tecnologias e métodos de cultivo sustentável (Pinto et al., 2022).
Metodologia
As fontes de dados são os relatórios de sustentabilidade das empresas que compõem o Índice Agronegócio B3 (IAGRO B3). A amostra foi composta por 16 das 32 empresas do índice que publicaram seus relatórios referentes ao ano de 2023. Para o tratamento dos dados, utilizou-se a análise de conteúdo (Bardin, 2016), com categorias baseadas nas diretrizes da norma setorial GRI 13: Setores de Agropecuária, Aquicultura e Pesca. A análise focou em dois temas matérias ao setor agropecuário: (i) emissões de carbono e (ii) mudanças climáticas.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise dos relatórios de sustentabilidade de empresas do agronegócio brasileiro permitiu identificar avanços importantes, sobretudo no que se refere à mensuração e divulgação de emissões de gases de efeito estufa de escopos 1 e 2. O maior detalhamento em indicadores relacionados a emissões diretas e indiretas demonstra o esforço do setor em responder às pressões de stakeholders e alinhar suas práticas aos padrões internacionais. No entanto, persistem lacunas significativas em indicadores como poluentes atmosféricos e substâncias que destroem a camada de ozônio.
Considerações Finais
Os resultados indicam que empresas mais bem estruturadas, como grandes grupos agroindustriais, estão mais avançadas na adoção de práticas de gestão climática. Já as organizações menores enfrentam dificuldades para sistematizar dados e apresentar indicadores consistentes. Isso reforça a importância de políticas públicas e incentivos que promovam maior adesão às práticas de reporte socioambiental. Conclui-se que, apesar dos progressos, a transparência socioambiental no agronegócio brasileiro ainda enfrenta desafios significativos.
Referências
Agripino, N. E., Maracajá, K. F. B., & Machado, P. A. (2021). Sustentabilidade empresarial no agronegócio: Percursos e implicações nas práticas brasileiras. Research, Society and Development, 10(7), e30210716567. https://doi.org/10.33448/rsd-v10i7.16567
Bardin, L. (2016). Análise de conteúdo. Edições 70.
Barbosa, V. C. R., & Brisola, M. V. (2024). As prospecções tecnológicas sustentáveis da EMBRAPA para o agronegócio brasileiro. Revista de Economia e Sociologia Rural, 62(3).
https://doi.org/10.1590/1806-9479.2023.270441pt